quarta-feira, 31 de dezembro de 2025
Deus
Do fundo mais fundo do mundo, o meu coração, que não cabe mais em meu peito, e o mundo parece um buraco sem fim, um mundo que acaba hoje ou amanhã, tanto faz. Nas lágrimas salgadas e quentes que escorrem e queimam em minha face magra e infinitamente triste, não vem ninguém. Talvez o mundo tenha acabado ontem ou há muito tempo. A esmagadora dor que nunca passa… Jesus, quis te escrever uma carta bonita por seu aniversário, mas tive uma crise violentíssima de ansiedade. O Senhor sabe, não preciso me desculpar.
1, 2, 3… gotas e lágrimas incontroláveis que parecem uma enchente que deixou um homem ilhado no capô do carro, no córrego que corta Goiânia. Mas parece que eu estou dentro do carro e estou ficando sem tempo para ser resgatada ou sair por conta própria. Senhor, cuida sobretudo do meu coração, dói demais. Minha ânsia é para que o sol se ponha mais rapidamente, para que os remédios possam entrar logo em minha corrente sanguínea. Deus, por favor, preciso do seu abraço.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
Borboleta amarela
“A borboleta amarela simboliza alegria, prosperidade, sorte, otimismo e transformação positiva, indicando novas fases, boas notícias, abundância e despertar espiritual, sendo um sinal de que mudanças favoráveis estão a caminho ou que uma nova fase de felicidade está começando.”
Escolhi um filme aleatório em um streaming e comecei a assistir, mas a ansiedade quase nunca me permite algo sem pausas. Dessa vez não foi diferente: desliguei e fui fazer outras coisas. Talvez eu estivesse sendo preparada para assistir ao tal filme que me atravessaria sem espera alguma, uma surpresa inesperada. Um filme muito bonito, sobre perseverança, amor e partida. Mas, aos meus olhos, o que realmente me tocou é que quem vai embora daqui nunca vai completamente; basta prestar atenção nos detalhes.
“Borboletinha”: assim a mãe que partiu a chamava. E quando ela foi resgatada de uma tempestade com a ajuda de muitas pessoas, ela viu borboletas nos panos que voavam. Viu sua mãe, com toda certeza. E eu comecei a chorar copiosamente. Nem estava entendendo a profundidade daquele choro que veio de repente e se derramou como uma cabeça-d’água em uma cachoeira.
Quando parei de chorar, abri a porta e não acreditei: uma borboletinha amarela. Lembrei do meu avô na hora. Pensei: será uma visita? Acho que, se alguém me visse, me acharia lunática, parada. Tive medo de me mover e “ele” ir embora. Pensei que, se eu não externalizasse nenhuma palavra, se fosse o senhor, que pousasse, por favor. E pousou. E pousou.
Não consegui fotografar, mas filmei. E, quando terminei, “ele” foi embora. Acabei me lembrando de outra coisa em que borboletas eram o símbolo da existência de alguém, mas essa é uma outra história.
domingo, 21 de dezembro de 2025
Me perdoou
Eu disse que não escreveria sobre você porque não queria te eternizar, mas você é eternizada em mim, mesmo que não tenha levado nenhuma foto nossa. O que vivemos não pode ser apagado por borracha nenhuma. Talvez fosse bom se isso fosse possível, ou não. Fiquei sabendo que você ainda pergunta de mim e, mesmo sem respostas, você ainda pergunta. Não sei por qual razão e nem saberei, porque o nosso laço virou um nó apertado no meu pescoço.
Você me disse infinitas vezes que eu te abandonei, mas será que algum dia você vai pensar que me abandonou muito antes de eu ir embora? Acho que não. E isso não muda nada. Eu pensava que precisava que você refletisse sobre isso, mas a verdade é que nada mudaria, nada mesmo. Existem coisas que só podem nascer da naturalidade.
Você me convenceu de que eu te abandonei, e eu me senti o pior ser humano habitando a Terra. Esse sentimento me engoliu inteira. Achei não ser digna nem de viver mais. Eu sei que errei com você, e errei feio. Nada justifica. Existia uma maneira melhor e mais honesta de ir embora, mas você sabe que eu jamais iria se não tivesse acontecido como foi. Eu fui embora amando você, e te amei por muito tempo depois, até o amor ser substituído por realidades, e isso é difícil demais.
Você fez parte de uma fase muito significativa da minha vida. Foram 13 anos. E quando eu dizia que nunca mais queria conhecer ninguém e que tinha casado com você, não era da boca pra fora. Era do coração pra dentro. Mas eu ouvi de você que tinha tanta certeza de que eu jamais iria embora que não se esforçava para mudar nada. A verdade é que você já havia abandonado o barco, mas era cômodo.
Eu nunca vou esquecer quando você me disse que era muito difícil viver com alguém depressivo, que era cansativo. Eu não discordo, mas eu cuidei de você incontáveis vezes, por tantas e tantas vezes só eu estive com você, mesmo quando eu não conseguia cuidar de mim. Eu também estava exausta. E te confesso que só queria saber que você ainda estava ali. Mesmo sem entender na época, eu mendigava o seu amor. Não era você quem tinha medo de que eu fosse embora, era eu. Você só não queria me perder para outra.
Você se esqueceu do na saúde e na doença e etc, etc, etc. Eu planejava envelhecer com você e me esforçava sobrenaturalmente para ser funcional para você e para a nossa relação. Talvez você não soubesse da gravidade do que estava acontecendo comigo, mesmo me acompanhando em consultas e me vendo definhar, ou talvez só não tenha feito questão. Eu também me lembro das coisas boas, mas é difícil.
Eu teria muitas coisas para escrever aqui, mas não faz diferença nenhuma. Você não vai ler isso. Nunca achou importante. Eu era um livro de poesia e você não fazia questão de ler. Aí virei um daqueles livros com finais tristíssimos. Virei um peso morto na casa que sempre foi sua e nunca nossa. Você teve a liberdade que tanto queria e não me deixou viver a minha também.
Não tenha mágoa de mim. Não precisa ter amor nem lembranças. Só não tenha raiva. Eu teria uma pena danada de ir embora daqui um dia sabendo que você sente isso. Este texto que você nunca vai ler é só para dizer que eu me perdoo. Eu me perdoo por ser humana e por poder errar. Eu já te perdoei há muito tempo, mesmo você achando que não me devia nada ou que não fez nada que foi muito ruim para mim. Isso não importa mais.
O ciclo se fechou totalmente, como o ano que está se findando. Te escrevo para me perdoar. Porque me perdoar, em algum momento, é me aceitar humana, falha, imperfeita. É não me cobrar uma perfeição que não existe. É saber que eu não te abandonei. É saber que eu fiz tudo e mais um pouco para você ficar.
O que nós amamos não existe mais. Eu não existo mais como você me conheceu. E você não existe mais como eu te conheci. De vez em quando vou me lembrar de você, mesmo que eu não queira. Uma poeta disse um dia que tudo o que toca a nossa alma fica eterno. Eu nunca imaginei a vida sem você, e tive que te matar viva. Isso é uma das coisas mais tristes que a gente precisa fazer. E além de você, eu tive que matar uma história e principalmente um pedacinho de amor que dormia em cima de mim e que eu amava demais.
Eu já escrevi este texto infinitas vezes e apaguei, comecei e não terminei. Mas não faz diferença para você. Como já disse antes, você nunca se interessou por isso aqui. Mas escrevo para arrebentar as correntes de culpa que arrastei por longos três anos. Fiz o que pude, e talvez mais do que podia. Isso não é um até logo, é um adeus. Você não tem mais a minha culpa e eu não tenho mais as correntes. Você nunca mais terá poder sobre quem eu sou, porque eu sei quem eu sou, e um erro não vai me definir ou guiar a minha vida eternamente.
Me perdoo. Me perdoo. Me perdoo.
Adeus.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
Maiúsculas
Eu não acredito que o amor possa ser medido como quem pega uma trena e diz “meu amor por você tem tantos centímetros ou tantos metros”. Mas não há como negar que nosso coração, nossa alma e nosso corpo vibram de forma diferente e nos mostram quão profundo pode ser o amor por alguém.
No final de tudo, quem fica com e por você é a sua família (óbvio que existem exceções), mas falando por mim, são eles. São eles que ficam, eles que me amam apesar de tudo, são por eles que eu permaneço, são eles que oram, fazem suas preces e até promessas para que minhas raízes se firmem novamente no chão, para que eu queira estar aqui não apenas por eles, mas por mim também.
E eu os amo com todo o meu coração, meu corpo e meu espírito. Não mudaria nem escolheria nada diferente deles. O que temos não tem preço, tem valor, e é altíssimo.
Lembrei, enquanto escrevo, que quando um rim da minha mãe parou de funcionar e ela teve que o retirar, eu tive pânico de perdê-la. Sempre disse: “mãe, se um dia você precisar, o meu rim é seu”. Eu não pensaria nem por um segundo para tomar essa decisão. A verdade é que eu daria até meu coração se fosse necessário, porque eles são as minhas pessoas, eles são o meu coração batendo neste mundo barulhento.
Hoje abracei meu pai, depois de tanto tempo, para dar tchau porque vão viajar, e eu voltei a ser uma criança que deitava a cabeça dele no meu colo. A depressão e a ansiedade e um trauma profundo me roubaram muitas coisas, mas nunca roubaram nem um milímetro do amor que tenho por eles.
As minhas melhores lembranças têm eles. Têm os olhos da minha mãe, o coração do meu pai, o colo da minha avó, a fé do meu avô, o abraço da minha irmã, o cuidado da minha outra irmã, e todos eles juntos me formam, porque eu não poderia existir se não houvesse cada um deles.
E o que eu queria dizer aos berros neste texto é: pai, mãe, vó, vô, irmãs, EU AMO VOCÊS em maiúsculas até a lua, ida e volta. Por vocês eu rasgaria os céus e enfrentaria qualquer coisa. Sem vocês meu mundo seria diferente, minha alegria seria triste, e a voz de vocês ecoa na minha. Todas as vezes em que eu estava por um fio, foram as mãos de vocês que me alcançaram. Eu sei que não existe ninguém sobre esta terra que me ame mais do que vocês, com essa profundidade, honestidade, lealdade, com o amor na sua forma mais pura.
Eu amo vocês do jeito mais simples e bonito que se pode amar. As palavras me faltam porque o sentimento é denso demais, não passa com facilidade pelos dedos. É muito profundo em mim e fica protegido até das letras.
domingo, 14 de dezembro de 2025
Feliz natal
Urgência de escrever antes que as palavras se percam de mim. Não me lembro da última vez em que estive, de fato, em um lugar: eu com meu corpo, minha alma e meu coração em um momento só. Ninguém pegou celulares, não houve fotografias, mas quem esteve ali presenciou vários milagres em volta de uma mesa bonita, com minha avó na posição de honra. Resgatei coisas com meu primo e nos transportamos, e a namorada dele já conhecia as histórias, ou seja, não foram importantes e marcantes apenas para mim, mas sim de fato compartilhadas.
Eu e minha irmã parecíamos duas adolescentes, e minha mãe, que sempre gosta de estar, demos gargalhadas juntas. Fizemos piadas mesmo em um ambiente “chique”, que nunca foi tão familiar e aconchegante como hoje. Minha irmã me falou da importância de eu ir arrumar minha casa, de entender que eu mereço e que eu posso, sim, deixar o que passou para trás. Disse que já me escreveu muito em seus blocos de notas e que, quando sonha comigo, fica pensando. Fiquei admirada. Poxa, alguém escreve sobre ou para mim?
Voltamos à infância ao redor da mesa, com o vazio do meu avô, mas com as lágrimas no rosto de quase todos nós, marcando sua presença de legado e saudade. Pessoas que entraram para nossa família agradecendo por terem nos encontrado, pois fizemos da nossa a família delas também. Foi bonito demais. Todos felizes com minha presença, que não se fazia há muito tempo, muito mesmo, e eu disse que eu é quem agradecia. A vida só está quando juntos estão corpo, alma e coração.
Senti uma imensa vontade de me abrir para o mundo. Meu compromisso é comigo agora, porque eu também mereço. Quem eu esbarrar pelo caminho, que seja leve e que queira de mim a gargalhada e o amor que eu posso entregar, e que eu também receba isso. Claro, me senti um pouco atrasada vendo todos os meus primos mais novos do que eu já casados, formando suas famílias, mas a alegria de ver todos bem e felizes superou isso bem rápido. Quem se reencontra não pode se sentir só.
Se alguém quiser vir comigo, eu quero. Oi, Deus, acho que já estou pronta, rsss. Ou talvez não. Talvez amanhã eu não me sinta mais assim, por isso a pressa de escrever às 00:37, para quem acorda bem cedo. Porque, nesse instante, eu sou eu completamente, e há anos não nos reencontrávamos. Espero que nós estejamos juntas, se não para sempre, mas por algumas vezes. Foi bom saber que nós ainda existimos.
Amanhã é outro dia, mas hoje eu não queria nem dormir para não passar a sensação de ser meu lar. Que a morte me encontre viva. Até
quinta-feira, 11 de dezembro de 2025
Exaustão
Comprei uma pulseira dos sete nós na Chapada. Outro dia ela arrebentou do nada, mas eu amarrei de novo e, adivinha, arrebentou de novo. Chegou outra há menos de uma semana, com uma figa pendurada, e a figa soltou do nada e caiu no chão. Dizem que é proteção contra inveja. Aí eu fico pensando: inveja de quê? Meu corpo de fato chegou à exaustão. Estou custando a me levantar para ir trabalhar, fico tentadíssima a ficar na cama, mas ok, eu vou, e tem muita coisa para fazer. Não nego trabalho e, sem querer ser metida, tudo que me proponho a fazer eu faço muito bem feito. Mas estou cansada, muito cansada.
Acho que descobri que a máquina do tempo realmente existe. Enquanto voltava para casa no Uber, olhei para o céu ouvindo Emicida e voltei para a época em que eu deitava no chão e ficava horas olhando as nuvens. Eu voltei de fato, dei uma desligada por alguns segundos. Foi tão bom, mesmo que tenha durado tão pouco. Mas voltei para o corpo exausto. Sonhei com você.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
Dona tristeza
Poxa vida, eu odeio quando a tristeza não só bate na porta, mas arromba, entra sem pedir licença, senta, pede um café, joga os pés sujos no meu sofá e ainda insiste em conversar sobre coisas que eu não tenho a menor vontade de enfrentar. Ela não respeita nada, fala como se fosse dona da casa, não liga se sujou tudo ou largou a xícara em qualquer canto. Ela simplesmente vai embora e me deixa com o estrago, com o peso, com o vazio.
Ah, não existe remédio para meus olhos tristes. Quem tem sensibilidade percebe na hora, porque a tristeza adora se instalar e fazer questão de aparecer. Hoje eu saí para buscar uns materiais para a escola e parecia que eu estava no automático. Fui e voltei em silêncio, fiz o que precisava, mas a cabeça doía como se gritasse por dentro. Me escondi debaixo de uma mesa, tomei um remédio forte para dor e desmaiei. Acordei com a sensação de que um caminhão tinha passado por cima de mim várias vezes, sem pressa, só para ter certeza de que eu sentiria cada impacto.
Os meninos gritam sem parar, fim de ano, energia sobrando, nada para fazer além de brincar. Mas para mim é barulho demais, é barulho que atravessa. Minha colega, que já é mãe de dois adultos, disse que ainda bem que os filhos dela já cresceram, porque hoje ela não daria conta de tanto barulho. E eu fiquei ali, presa no meu pensamento: como eu poderia ter um filho se eu preciso tanto de silêncio para sobreviver? Fiquei ainda mais triste. E eu nem sabia que ainda cabia.
Minha avó entrou toda animada no meu quarto para contar que na pamonharia tinha um casal de homens com um menininho, os três tão lindos juntos, tão pacientes, tão leves. E aquilo me atravessou também, de outro jeito, porque tocou num desejo e num medo ao mesmo tempo.
Fim. Não tenho mais o que dizer.
" Há quem passe por um bosque e só veja lenha para uma fogueira" Leon Tolstói
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
Voz baixa
Às vezes nós pecamos por amar em voz baixa. Para nós, mulheres que amamos mulheres, foi nos ensinado que precisávamos amar baixinho, chamar a namorada de amiga ou, quando se casavam, dizer que só dividiam apartamento ou moravam juntas para dividir despesas. Eu sinto muito por não ter arrebentado o sistema, por não ter andado de mãos dadas onde quer que fosse, por não ter beijado quando desse vontade, mesmo que estivéssemos no meio de uma multidão. Nós também tínhamos e temos o direito de nos amarmos em voz altíssima. Quantas vezes eu me contive para não chamar de amor, para não dizer “EU TE AMO”, assim mesmo, em maiúsculas, porque achava que o amor precisava ser baixinho, dito em entrelinhas, guardado em quatro paredes. Eu chamei isso de “minha linguagem de amor é atos de serviço”. Também é, mas não é só. Muitas vezes era porque poderíamos sofrer algum tipo de violência ou porque apenas fomos condicionadas a isso.
Para uma pessoa tão “emocionada”, palavra que acabou arruinando quem é romântico, amoroso, cuidadoso e prestativo, amar em silêncio é muito difícil. É como engolir um comprimido enorme sem água e ele parar onde não devia. Engolir o amor é um grande risco. Ele nasceu para ser desaforado, grande, nasceu para ocupar espaço, revolucionar, ser resistência em um mundo tão superficial. Acho que por isso eu escrevia cartas, porque não saía pela boca, mas precisava ser gritado em algum lugar.
Não sei de muita coisa
Tomei as medicações há tanto tempo que meus olhos parecem duas jabuticabas, não tão pretas assim, mas úmidas, vivas. Cai uma chuva fina lá fora. O som da água escorrendo do céu e tocando a terra me acalma, e o cheiro que sobe depois me abraça ainda mais. Minha mente, porém, não conhece descanso. Posso passar horas, até dias em silêncio, mas dentro de mim nada se aquieta.
Minha avó me chama todos os dias para destrancar a faculdade. Ela sempre acreditou mais em mim do que eu mesma. Às vezes penso que, por trás da depressão e da ansiedade, exista algo escondido, um outro lado de mim. A facilidade com que faço certas coisas, o pouco esforço, me fazem acreditar que qualquer um poderia fazê-las. Como se nada bastasse. Como se eu não merecesse, por ter sido simples demais.
Hoje, enquanto me forçava a exercitar o corpo, pensei: olha só, estou fazendo isso só por mim. E não lembro a última vez que fiz algo assim. O clima mais ameno me acalma, mas também desperta uma melancolia intensa, abre gavetas antigas da memória.
Li sobre um trem noturno na Noruega que leva os passageiros não apenas para ver, mas para se perder, delirar, se render ao sublime da aurora boreal. Sempre sonhei em vê-la lá. Por quê? Não sei. Não sei tantas coisas.
O remédio começou a fazer efeito. O resto fica para depois. Sonhei com você também. No sonho, só eu sabia como te alcançar, como te ajudar, porque só eu te conhecia daquele jeito que talvez ninguém conheça. Ou talvez ninguém me conheça assim. Eu realmente não sei. Não sei de muita coisa.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2025
Mas não !
"Poderíamos casar, teríamos um apartamento, tomaríamos café as cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário, de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos". Caio Fernando Abreu
domingo, 7 de dezembro de 2025
O amor é
Dizem que demoramos, em média, cerca de 7 anos para esquecermos alguém que amamos, acho que romanticamente. Mas com certeza estão muito enganados. Não é como saber que um coração bate entre 60 e 100 vezes por minuto, variando de acordo com a idade, ou que existem 384.042 quilômetros entre a Terra e a Lua. Sentimentos não se podem mensurar nem ter prazo de validade como um iogurte. Para o amor não há espaço nem tempo.
Sete anos pode ser tempo demais ou tempo de menos. Você pode amar alguém para sempre e escolher não estar mais com ela, ou ela escolher que não quer mais estar com você. O amor não pode ser negociável. Ele é desaforado, não pode ser pausado como um jogo. Talvez ele seja transformado ou não, mas guardado, ainda que se coloque onde não se alcance, ele vai estar.
E, de repente, em uma tarde de domingo qualquer, ele te visita de uma forma inesperada e você o devolve para a caixinha inalcançável, porque ele não respeita ninguém quando quer reaparecer. Ele o faz, você querendo ou não. Como diz o Pequeno Príncipe: “Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante”.
Há quem acredite em máquina do tempo. Há quem diga que são lunáticos os que creem nisso. Mas eu, que não sou ninguém tão importante nem nada importante, acredito que nós somos uma máquina do tempo. Nossa mente, coração ou espírito nos levam a lugares inimagináveis e são lugares e momentos que já se passaram ou que gostaríamos de viver e estar. Então talvez exista a tal máquina do tempo. Quem vai saber?
Quando uma alma toca a outra, sua digital fica ali para sempre, porque para o amor ou toca ou não toca, ele não cabe no meio-termo. Tenho para mim que, aos domingos, a máquina do tempo quer funcionar como se fosse um dia irremediável…
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
Comigo mesma
Ter memória fotográfica já me ajudou em muitas coisas, principalmente relacionadas a estudo e conhecimento. Sempre achei mais fácil aprender, como se abrissem meu cérebro e aquela informação ficasse instalada no meu “software humano”. Mas, na minha vida pessoal, eu gostaria de não tê-la, uma memória fotográfica, sensorial, auditiva, olfativa muuuuuito potente e, se eu pudesse, ainda que talvez me tirasse a facilidade de muitas coisas, eu não queria ter, porque em frações de segundo um cheiro, uma lembrança, um som me transporta para lugares que eu não posso mais revisitar. Obviamente, eu vou para lugares dos quais eu não tenho vontade de voltar e moraria ali facilmente, mas, em contrapartida, vou para lugares em que eu não posso mais estar ou dos quais eu jamais gostaria de ter estado, porque dói, porque me arrependo, porque foi horrível. Aí fica a grande questão: os momentos bons valem os ruins? Não sei. “Eu espancaria anjos e rasgaria o céu”.
Eu fico pensando se minha melancolia vem de coisa ruim ou vem de olhar tudo com sentimento demais. Desde tão pequena, coisas tão pequenas me emocionam, me arrepiam. Sempre gostei de músicas intensas e carregadas de sentimentos. Alguém deitado na rua nunca foi algo comum para mim, muito pelo contrário, sempre foi absurdo. Tinha muitos amigos, não posso negar, mas eu tive, em especial, amigos dos quais ninguém queria ser. Eu me recordo que, na idade que eu tinha quando ia para a APAE, porque minha mãe trabalhava lá e eu tinha que ir com ela, eu nunca achei que eles tivessem qualquer diferença de mim e não têm, mas eu sei que não é dessa forma que a sociedade como um todo enxerga. Eu passava o dia inteiro brincando com eles e era difícil me fazer ir embora. Já havia uma sensibilidade diferente para a minha idade.
Eu nunca me vi em nenhuma outra profissão que não fosse cuidar. As opções sempre foram ligadas ao cuidar. Nunca gostei de matar, nem insetos. Eu perdi as contas de quantas baratas, que a maioria das pessoas tem asco, rs, eu já virei de barriguinha para baixo de volta para elas irem embora. Eu tinha uma mania de passar hooooras observando formigas. Eu tinha toda uma história na minha cabeça, prestava atenção em como elas picavam as folhas, se organizavam e ficava alucinando em como elas poderiam carregar algo taaaao maior que elas. A lupa que eu ganhei me levava lá para o mundo delas, rs. Achava que piolho tinha casa na cabeça das pessoas e eles eram como nós, kkk. Passava muito tempo olhando as nuvens e via cada coisa com total certeza de que era de verdade. Eu era uma boa menina e achava que o mundo era tão bonito.
Eu não sei se sentir tanto fez bem para a minha criança, mas tenho certeza de que fez mal para a minha adulta. As pessoas me acham sensível, mas eu acho que não chegam nem perto de saber como eu realmente sou sensível e o quanto isso me custa e torna a minha vida mais difícil, muito mais difícil. Eu vou embora amando, aí fico tentando acomodar o sentimento em algum lugar o mais inacessível possível. Eu não acho que quem você realmente amou deixa de amar, a gente só acomoda em um lugar onde as mãos não alcancem, mesmo que estejamos nas pontinhas dos pés.
Meu texto não tem nem um sentido, mas é que hoje está difícil demais para não falar comigo mesma.
Finitude
Dia de despedidas, e eu detesto me despedir. Tenho uma dificuldade imensa de pensar no fim. O ciclo de muitos meninos se encerrou ali naquele lugar hoje, e pude ver o medo, a ansiedade, o mundo inteiro de possibilidades, mas são crianças um pouco crescidas com medo das incertezas da vida lá fora.
Hoje eu escrevi em infinitas camisetas, chorei, permiti que me abraçassem e foi uma mistura de dever cumprido, porque eu sei que dei o meu melhor para eles e muitos deles também me deram o melhor do que tinham. Nesses últimos dias eles têm me enchido tanto de amor que eu acho que foi Deus dizendo muitas coisas para mim, e Ele me alcançou através deles. Têm sido dias difíceis e eu com certeza precisava desse afeto. Obrigada.
E, pela primeira vez, eu não termino o ano com medo de não ter esse emprego no próximo ano, porque meu coração se acalmou e, de fato, eu consegui entregar para Deus e para a espiritualidade. Eu entendi que eu não tenho o amanhã nem o que passou, eu só tenho esse segundo em que escrevo.
Passo em frente a um cemitério que faz parte do meu trajeto de volta para casa. O carro parou e muitas pessoas estavam atravessando a rua para uma última, derradeira despedida, a mais doída de todas. Eu fui completamente atravessada e comecei a arrepiar o meu corpo inteiro e fiquei triste. Parece que eu consegui, em segundos, focar os olhares de dezenas de pessoas e prestei atenção na quantidade de pessoas muito jovens ali.
A despedida está nos acompanhando o tempo todo, gostando ou não. Ela me atravessou de maneiras diversas hoje e, no final do dia, o fim da carne, a real despedida daqui e a mais dolorosa me alerta para a certeza de que, para todos nós, hoje pode ser o último dia.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
Sim
Sim! O “sim” foi destruindo quem eu sou desde muito pequena. Meu pai me criou para ser uma cópia dele e a maioria das pessoas que convivem comigo e com ele, na intimidade, dizem que somos muito parecidos. Descobri na terapia que eu precisava aprender a dizer não. Meu pai diz que minha terapeuta foi horrível para mim, que fiquei “boca dura”. Minha ex, que inclusive foi quem me apresentou a ela porque já havia sido paciente, fala aos quatro cantos que ela é péssima; chegou a culpá-la diversas vezes pelo nosso fim. Mas foi ela quem me salvou de mim mesma tantas vezes que não caberia discorrer aqui. Tantas vezes os ouvidos dela foram o único colo que eu tive.
Não estou culpando ninguém, mas eu tive que revisitar algumas coisas para entender o porquê de várias coisas, sobretudo da minha saúde mental. Por que eu permiti e permito determinadas coisas? Por que tenho dificuldade em dizer não, em colocar limites quando estou sendo magoada ou desrespeitada? Por que eu perdoo com facilidade, mas quando erro me martirizo eternamente? Temos a ideia de que o sim abre portas e possibilidades, mas o sim me afastou de quem eu sou. Agora, depois de adulta, é tão difícil recalcular a rota. Eu continuo dizendo sim para inúmeras coisas que eu gostaria de responder com um enorme não.
Pensando sobre isso, entendi talvez de onde vem a ansiedade de sair, de estar no meio de muitas pessoas: eu fiz isso infinitas vezes sem querer, e isso me angustiava. Só sou respeitada quando não há grosseria nem palestra sobre como precisamos agir, porque me tornei uma pessoa extremamente ansiosa e deprimida. É esse o único motivo? Obviamente não, mas talvez seja uma parte bem razoável de tudo isso. Meu pai continua distribuindo sins enquanto se adoce internamente e entristece minha mãe. Amamos o próximo a partir do amor que temos por quem mais convivemos, porque é ali que vivemos a experiência de partilhar: de conhecer o mais bonito, mas também o mais difícil do outro.
Gostaria que ele despertasse para o que venho fazendo, em passos pequenos, tomando consciência. Sei da dificuldade, mas sei também do buraco que me levou.Como canta Tim Bernardes "No dia que eu fui embora
Resolvi
Deixar pra trás minha história
Descobrir
Entender quem sou agora
Ir e vir
Quem sabe eu vá me encontrar
Por aí
Milhas e milhas distante
Anos e anos depois
Muita, mas muita esperança
Você tenta
Você tenta também
Você tenta
Você tenta ir além
No dia que eu fui embora
Resolvi
Deixar pra trás minha história
Descobrir
Entender quem sou agora
Ir e vir
Quem sabe eu vá me encontrar
Por aí
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
Segue
Aprendi a respeitar o meu silêncio, mas sobretudo o silêncio do outro. Não é um tanto quanto absurdo que o silêncio diga mais que um milhão de palavras? Você já tocou a alma de alguém sem dizer uma única palavra? Apenas olhando nos olhos, tão, mas tão de perto, que você consegue ver os desenhos da íris, talvez contar cada cílio. Qual a importância disso? Diz do detalhe, de olhar minuciosamente não um corpo bonito e atraente, mas uma alma explosiva de amor.
Aprendi a não supor nada. Não suponha, isso é uma armadilha. Saiba, procure a resposta se isso for importante pra você. Às vezes eu me sinto invisível, e talvez eu seja por muitas vezes, mas nesse dia de silêncio, em que o álbum do Baco explodia no meu fone, surgem as perguntas: você está com raiva de mim? Você está passando mal? Gente, eu sou um ser humano. Tô triste, chateada, com raiva, sei lá… me deixa.
“Assina minha camiseta?” Disfarço pra não constranger, mas ela chorou. Uma professora super discreta, que não mantém contato físico com ninguém além dos seus filhos e família, me vê passando em exaustão absoluta. “Taynã, posso te dar um abraço?” Ela me abraça e diz: está acabando. E eu fico pensando o que está acabando?
Não sei. Escondida novamente debaixo da mesa, igual àquelas crianças que acham que quando tapam os olhos desaparecem, ouço meu nome ecoar nos corredores e levanto numa rapidez que eu parecia, como diz o Xamã, um velocista com ansiedade. Acabou o descanso. Menino convulsionando, crianças desesperadas, o tempo parecia estar parado. Ele volta à consciência. Me dão ao menos três celulares em ligação com o SAMU e ninguém consegue sequer explicar. Pego um deles, explico a situação e tive que falar que sou enfermeira.
Ele acordou sem saber onde estava. Deitei a cabeça dele no meu colo e ele relaxou, normal de um corpo pós-convulsão. Ele havia esquecido de tomar o remédio. “Alguém busca a medicação, não vou sair daqui.” A menina diz: “Taynã, você sabia que nós amamos a senhora?” Silêncio. Poxa vida, aquelas palavras tomaram meu silêncio e eu engoli uma cachoeira que romperia qualquer obstáculo ali mesmo. Não há tempo pra chorar agora. Atenção, pode acontecer de novo.
Eu estou cansada de ficar alerta. Queria em mim a liberdade de fazer de uma quarta-feira um sábado, sentada à beira-mar assistindo o sol nascendo. Como vou explicar que a minha cor favorita é o sol nascendo e se pondo? Quem liga? Segue.
Tontura repentina. “Taynã, você está passando mal?” Não segue a fila. Parecia que meu espírito havia saído do corpo. Segue. A cabeça dói sem descanso, nenhum remédio melhora. O que está acontecendo? Não interessa. Segue. Será que algum dia eu vou sentir o descanso? Sabe, relaxar completamente, como se não houvesse começo, muito menos final de nada, segura como no útero da minha mãe?
As pessoas deduzem demais e poucas querem saber de fato o que acontece. Eu que não vou explicar pra mais ninguém. Se disserem que o céu é rosa, ele vai ser, porque eu preciso sentir um pouco de paz que seja, senão meu corpo não vai aguentar. Sinceramente, pensem o que quiserem. Não preciso que entendam nada, mas gostaria que essa porra de hipervigilância que me persegue desde a infância me desse uma trégua. Nem tudo é um sinal, Taynã. Essa porra foi só uma coincidência. Apaga.
Me recolher em minha insignificância me torna uma pessoa mais leve diante da vida. Ninguém precisa esperar nada de mim.
terça-feira, 2 de dezembro de 2025
Desconstrução
Um rapaz, um homem, mas também uma criança vivendo à margem de uma sociedade egoica. Um ser humano que não foi acolhido, respeitado e, sobretudo, cuidado. Um homem-menino perdido no mundo e perdido dentro de si. O homem-menino tinha muito em comum com a leoa: ambos foram enjaulados, presos e observados de fora como se fossem enfeites, um imponente porém triste, e o outro apenas triste e jogado à margem de qualquer lugar.
Quem tem culpa? Somos nós. A sociedade é que tem culpa, não o homem-menino nem a leoa, com seus instintos enjaulados e vendidos por ingressos baratos em um cubículo. A leoa, feita para viver na selva, e o homem-menino, preso na selva de pedra que, para além das cidades, virou o coração das pessoas.
Eu me compadeço do homem-menino. Talvez eu também me jogasse na jaula. Ou será que nós já vivemos dentro de uma? Pessoas dizendo que bom que a leoa está bem só potencializam a frieza diante do outro, como se o homem-menino fosse apenas um corpo qualquer caído em um lugar onde merecia estar. Vocês estão putrefatos, e o homem-menino está livre: da jaula, mas sobretudo de vocês.
“Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego”
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
Zzzz
Hoje eu quis muito que o mundo estivesse no mute, e parecia que quanto mais eu ansiava pelo silêncio mais o mundo gritava dentro e fora de mim. Eu senti muita dor no peito, um frio que não passa desde ontem e a sensação de que, de fato, tem um elefante enorme sentado bem no meio do meu peito. “O que foi? O que você tem? Está tudo bem? Quer que eu vá aí? Como posso te ajudar?” Ninguém teve resposta, não porque eu não queria falar. Tudo bem, eu também não queria falar, mas é que eu não sei. Eu realmente não sei.
Hoje a máscara que eu uso pra ser não colou. Me escondi até debaixo de uma mesa no meu descanso e apaguei por lá mesmo, completamente exausta. O que eu mais li hoje foi “que dezembro seja meu final feliz”. As pessoas devem estar mais esperançosas, pois nessas datas que antecedem o começo de um novo ano e o final de outro, o que eu mais lia era “ano passado eu morri e esse ano de novo”. O que será que seria o final feliz? O dos contos de fadas ou o do capitalismo selvagem? A resposta é muito óbvia: silêncio.
Eu não estou melhor, o remédio é que tenta me deixar meio apática, mas sentimentos fortes rompem as barragens de maneira a alagar tudo como em um susto, e aí eu me afogo outra vez, como tartaruguinhas que saem dos ovos e tentam por instinto entrar no mar e as ondas devolvem elas. Mas a questão é que elas não desistem. E aí eu lembro da Dory do desenho: continue a nadar, continue a nadar. Mas eu não quero mais nadar.
Uma professora brinca comigo: como diz na novela, Taynã, tudo de ruim que acontece na vida é pra melhorar. Falei “poxa vida, posso esperar o paraíso então?”, e saí ansiando por um silêncio e uma quietude que aquele lugar jamais poderia me oferecer. Existe uma frase que eu amo que diz mais ou menos assim: você é meu minuto de silêncio em um mundo que grita sem intervalos. Eu não sei de quem é ou se eu inventei. Minha cabeça está igual a da Dory mesmo. Já cochilei algumas vezes aqui. Preciso parar. Meu corpo entrou em exaustão. Talvez eu volte, ou não.
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