segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Se eu puder deixar uma última mensagem!

Acho bonita a palavra solitude, mais bonito ainda o “você deve amar a si mesmo primeiro para poder amar alguém!”. Acho bonito no papel, poético, até utópico. Parece grande, revolucionário: “você não depende de ninguém para ser feliz”. Será? Como viver em comunidade sem depender de ninguém? Acredito no amor a ser dividido, mesmo que tudo esteja difícil, complicado demais. Mesmo quando é difícil se manter aqui, entende? Eu confesso: tenho um medo danado do amor romântico. Na verdade, acho que tenho medo do abandono, e isso criou uma barreira tão absurda aqui dentro que, enfim, desacreditei do amor. E acho isso tão triste, para além das tantas outras tristezas que carrego neste coração, que às vezes acho que é enorme (mesmo ele pesando entre 250 e 300 gramas) e, outras vezes, parece um carocinho de azeitona, como se encolhesse dentro de mim, e chega a doer. O mais interessante é que sinto como se ele se encolhesse e, ao mesmo tempo, estivesse prestes a explodir minha caixa torácica (que não é tão grande assim). Nunca pensei que desacreditaria do amor. Achava que isso seria impossível para alguém que amava dividir a vida em todas as suas nuances, alegrias e dificuldades. Amava dormir com um pé encostado no meu e sentir certa paz (mesmo com tudo que eu passo aqui dentro). Nunca gostei, nunca quis conhecer várias pessoas. Sempre pensei que cada indivíduo poderia nascer destinado a encontrar uma pessoa para dividir a vida e que ambos pudessem ser felizes juntos — não como dependência para a felicidade, mas como partilha do amor! Eu sei, isso é absurdamente utópico, mas eu gostaria que fosse assim, como é com vários animais. Uma pena. O que eu queria dizer é: não deixem de acreditar no amor. Se eu puder deixar uma última mensagem, que seja esta: não desistam do amor. É difícil mesmo, é complexo, são dois mundos inteirinhos diferentes! Exige persistência, escolha, paciência, conversa (conversem bastante) sobre tudo. Não tenham medo de conversar com quem vocês amam! Sorriam bastante, durmam grudados em alguns dias, façam amor (conversem bastante), façam viagens, escrevam cartas de amor, mandem flores, façam o café da manhã, façam massagem (conversem muito), ouçam atentamente, mandem uma música no meio do dia mais cansativo que estiverem vivendo. Deixem o outro saber que vocês os amam (tenham paciência). Recalculem a rota, façam cafuné, tomem banho juntos às vezes, cuidem um do outro (conversem bastante). Experimentem algo novo, digam ao outro o quanto ele é importante para vocês (tenham paciência). Deixem um recadinho na geladeira, no espelho com o batom, cantem juntos no carro ou onde quer que estejam, orem juntos (ou façam o que fortaleça a fé em algo maior). Sonhem juntos, mesmo que seja um sonho mirabolante (conversem bastante). Respeitem-se, comprem o chocolate preferido do outro, divida seu dia e ouça o dela também. Se eu puder deixar uma última mensagem, que seja esta: não desistam do amor! Angelina Dias

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

!

 Mais uma noite chorando, implorando para que Deus me levasse! Isso deve soar tão egoísta, considerando que tantas pessoas pedem a Ele para permanecerem aqui. Mas a dor é tão profunda que já nem consigo senti-la; perdi o controle. Vou ao trabalho porque preciso cumprir meus compromissos, faço isso desde criança. Já quis ficar abraçada na cama com alguém o dia inteiro, mas não me permiti. Já quis não ir embora, mas também não me deixei.

Ontem, tudo o que vivi até aqui passou pela minha mente até que as medicações fizessem efeito e me apagassem. Lembrei de tantas coisas e tentei descobrir em que parte do caminho me perdi a ponto de não querer mais existir. Pedi perdão a cada pessoa que, de alguma forma, machuquei perante Deus. Apesar de estar desacreditada de tudo, sei que a força da energia existe, e espero que tenha alcançado o coração de cada uma dessas pessoas. Nunca machuquei ninguém intencionalmente, sempre pensei muito antes de falar e agir, mas, como qualquer ser humano, às vezes as coisas nos escapam. E por isso sinto muito.

Gostaria de poder olhar nos olhos dessas pessoas e pedir perdão, mesmo pelas menores ofensas, mas não posso. No entanto, se um dia eu não suportar mais, fica aqui registrado meu mais sincero pedido de desculpas. Tudo o que fiz de bom e bonito pelas pessoas foi de coração. Acho que me doei tanto que me esvaziei de mim mesma, esqueci quem sou e agora não sei mais o caminho de volta. O medo me tirou muitas coisas e também me protegeu de tantas outras, mas, sem dúvidas, ele me roubou muito mais.

Sinto-me fora do meu próprio corpo, cumprindo apenas a tarefa de existir, sem vontade de nada, nem mesmo de ficar deitada na cama, o que também me angustia. A música, que antes me movia, agora me atormenta, pois minha mente está cheia demais. Está chegando o dia de realizar algo que por tanto tempo foi um sonho: conhecer Maria Bethânia. E, ainda assim, vou sem a menor vontade. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Pode ser que, mesmo tendo comprado tudo, pago o hotel, etc., eu acabe não indo.

Já não consigo mais apreciar coisas que antes me encantavam, como araras, o pôr do sol, comer, dormir. Não vou mais à minha casa. Não quero ajuda; simplesmente perdi toda a vitalidade. Não posso conversar com as pessoas porque elas sempre têm "fórmulas mágicas" e muito pouco acolhimento. Entendo que cada um tem seus problemas, suas demandas, suas rotinas, e tudo bem. Por isso, escrevo: para tentar permanecer.

"Hey, vai pra academia, vai pra terapia!" Eu não consigo nem me levantar da cama para trabalhar. Cada dia está sendo mais difícil. No desespero, procurei alguém que conheci em Brasília, uma pessoa que lê cartas (eu nem sei se acredito nisso). Ela leu. Está insistindo para que eu faça constelação familiar, me manda mensagens todos os dias, até se ofereceu para que eu pagasse depois. Até marquei, mas, alguns minutos depois, desmarquei. Sinto-me como se estivesse em uma rua cheia de gente, onde mil vozes falam ao mesmo tempo e eu não consigo encontrar a saída.

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Meu coração não nasce flores

Não tem significado, faço para sentir a dor, para ver se a de dentro que é muito pior dá um tempo! Mas nao! Ainda que eu quisesse meu coração não nasce flores, nasce dor!