quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Amor dos bons!

 Ontem foi a missa de 7º dia do meu tio. Eu não costumo frequentar igrejas católicas, mas não deixaria de ir à última homenagem a uma pessoa tão querida. Para mim, e para tantas outras pessoas (a igreja estava lotada), ele foi um exemplo em muitos aspectos importantes na vida de um ser humano. Mas o que sempre me encantou mais profundamente foi o amor, o respeito, a cumplicidade e o romantismo que ele dedicava à sua esposa. Foi, de fato, um daqueles amores!

Ontem, mesmo não estando mais aqui, ele conseguiu nos surpreender mais uma vez: compôs uma música para ela, deu-lhe o nome e pediu que cantassem essa canção durante a cerimônia, junto com a entrega de um buquê de flores. Foi uma das cenas mais bonitas que já presenciei na minha vida. Era possível sentir o amor dele preenchendo a igreja de ponta a ponta. Obviamente, chorei bastante e fiquei profundamente emocionada. Por um instante, pensei: será que ainda existe um amor assim? Um amor verdadeiro, que perdure? Que não ameace partir na primeira briga ou desentendimento?

Fiquei refletindo sobre o que Zygmunt Bauman disse sobre a modernidade líquida e tive medo de nunca mais amar ou ser amada dessa forma. Estamos constantemente erguendo muros de proteção em vez de construirmos pontes. Sufocamos o que sentimos, sempre desconfiados do outro, e acabamos nos furtando do próprio amor. Não nos sentamos para conversar, apenas vamos embora, acreditando que o outro não gosta de nós o suficiente. Alguns se afastam porque não se comunicam, outros porque amam de um jeito diferente daquele a que fomos acostumados com outros amores.

Não existe ninguém perfeito. Nem nós, nem o outro seremos. O amor é uma construção diária. Mas, ao construir muros ao invés de pontes, podemos nos condenar à solidão. Não que seja necessário ter alguém para ser feliz ou se sentir completo, mas como é bom dividir a vida, compartilhar momentos – sejam felizes ou tristes – com quem se gosta e se ama, com alguém disposto a construir algo memorável. Alguém que pense em você e na sua dor, até mesmo quando não estiver mais aqui. Esse, sim, é um amor dos bons.

Angelina Dias

domingo, 22 de setembro de 2024

22 de setembro

 Pensei muito em você hoje, e há tempos não pensava. Sinto que houve um bloqueio de proteção absurdo! Não sei, não tenho a menor noção do motivo pelo qual isso pode estar acontecendo. Não é saudade, mas um pensamento forte. Reflito e tento entender com calma, mas não chego a nenhuma conclusão, apesar de considerar mil coisas diferentes que poderiam me fazer lembrar de você dessa maneira. Bate uma preocupação, mas prefiro acreditar que não seja nada negativo. Apesar de não ter energia nem para o meu próprio corpo neste momento, de alguma forma emano energia e pensamento positivo em sua direção. É uma sensação estranha; não sei nem o que escrever. Em poucos momentos, as palavras me faltam dessa maneira!

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

Vazio

Quando eu era criança eu tinha medo do escuro, não conseguia dormir sozinha, o medo era tanto que quando eu tinha que fazer isso eu ficava debaixo do cobertor por completo suando frio e em pânico eu também tinha sonambulismo, a ponto de pegar o uniforme da escola, as 20 horas da noite, tomar banho e ir, e ser pega e “acordada” pelos meus pais para voltar para cama! A ansiedade já parecia instalada no meu DNA! Hoje eu me vejo como aquela criança escondida debaixo do cobertor, são 04:30 da manhã e eu já estou acordada, tendo uma crise de ansiedade daquelas que dão diarreia! Ontem, uma pessoa muito querida da nossa família partiu, rodeado por sua família, com uma médica em casa e com sua amada mulher, a quem ele amou como um ser humano deve ser amado. Ele escreveu até uma música para cantarem no velório dele! Eu fui, abracei toda a família, mas não suportei ficar lá muito tempo, já há vazio demais em mim! Não pude não lembrar do meu avô, parecia que estava tudo se repetindo! O mesmo local de velório, as mesmas pessoas reunidas, a minha avó chorava bastante, a viúva que é irmã dele também! Me encostei na parede meio acuada, olhando tudo em volta e chorando como quando você não quer que ninguém veja. Meus pais me chamam para me sentar perto, não consigo, continuo encostada na parede! E diante de toda a dor de todas aquelas pessoas, eu direcionei o olhar para onde ficaria o caixão, e me imaginei lá, apesar do alívio que aquilo me causava, quando vi minha avó chorando pelo cunhado tão querido! Pensei: como eu poderia fazer isso com ela? E com meus pais, que estão sofrendo tanto de me verem dessa maneira? Foi ficando tão insuportável que fui embora, não me despedi de ninguém, apenas fui! Eu, a minha dor, meu vazio, a minha tristeza, minha ansiedade violenta! E eu não tenho mais medo do escuro! Não sei se isso pode ser bom ou ruim! Angelina. 


sábado, 14 de setembro de 2024

28 de abril de 2024

 No dia em que Luiza estava completamente decidida a ir embora para sempre de qualquer lugar que fosse no Polo Norte mais exatamente na Noruega, Sebastian fez acontecer a Aurora Boreal, com a lua mais brilhante que poderia um ser humano ver sob a terra. Luiza ficou tão encantada, envolvida, como se as cores da aurora a fizessem flutuar. Luiza esquecera qualquer coisa.

Pensando que a atravessava, a luz brilhante da lua fez com que Luiza ficasse, ainda que tudo doesse. Sebastian sabia disso, de onde ele estivesse faria a Aurora acontecer para que Luiza permanecesse. Angelina Dias.

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Não existe título

Chorei, mas chorei tanto e senti uma pressão tão grande no peito, uma vontade de vomitar! Pensei que morreria, e eu não tive medo, eu senti um alívio em pensar que isso poderia estar acontecendo. Centros, medicações, terapias, academia, psiquiatras, mantras, ondas, frequências, rituais! Amores, paixões, amizades. Nada! Nada preenche o vazio que há anos carrego dentro em mim! Eu tento sonhar, pensar que vai passar, disfarçar, não tocar no assunto, mas eu morri há muitos anos, ninguém entenderia! O meu corpo insiste em caminhar por aí, tento fazer coisas normais! Sair, conversar, conhecer pessoas novas e lugares, coisa que eu nunca me permiti, sempre sendo carrasca comigo mesma! Afinal de contas, só tenho 34 anos ou, na verdade, já 34 anos, desde os meus 15 e poucos anos, sentia que morreria jovem! O vazio foi aumentando, aumentando que alcançou um buraco que parece nunca mais conseguir ser preenchido! Mandei uma mensagem para minha mãe e pedi: mãe, reza por mim, eu não estou aguentando, mas eu nunca havia feito isso, eu não queria preocupá-la e nem a ninguém, eu já passei por tantas sozinha sem abrir a minha boca, que aprendi a não falar! Mas eu só penso em desistir! Acabar com a dor que eu sinto! Eu posso explicar de mil maneiras diferentes, mas ninguém chega nem perto de entender! Uma vez eu ouvi que a minha caridade é seletiva! É mesmo porque, mesmo arrebentada, destruída, eu ainda olho para o outro e eu faço tudo que posso e não posso, mas não por mim, eu desisti, mas finjo que não! Para que as pessoas que me amam consigam viver a vida delas sem o peso de pensar que eu estou em sofrimento, todos já têm problemas demais! O mundo está acabando. “O mundo está ao contrário e ninguém reparou” Errou, quem reparou está sofrendo e está sofrendo demais! Quem não tem sentido o peso de tudo que está acontecendo ao redor, deve estar vivendo em Nárnia ou cagando mesmo! Ninguém se importa! Setembro amarelo! Você não está sozinha! Quem não está? Setembro e todos os outros dias? Enfim, ninguém se importa!” Levante e o velório acaba! Velório de quem? A gente não quer levantar da cama, muito menos do velório, meu caro! E é só uma maneira de dizer: levanta daí, ninguém liga, estamos cuidando dos nossos problemas. Homens matando e abusando de mulheres e que se vê é a branquela que foi presa por roubo sendo ovacionada ,O sol laranja que todo mundo acha bonito mostra que de longe o mundo está acabando! Ninguém quer chegar mais perto! Ninguém quer ser demandado, mas quer ser demanda, ninguém parece ter empatia ou percebe que cada um de nós depende do outro, como em uma cadeia de ações e não ações que nos levam a grandes salvamentos ou ao fim de tudo! Entender que ninguém se importa, em todos os aspectos, me faz crer que o mundo acabou e alguns de nós ficamos perambulando por aí! Uns carregando dores absurdas e outros destruindo tudo o que vê pela frente, inclusive pessoas, para terem um pouco mais de dinheiro acumulando em seus bolsos! E eu te pergunto: É assim que acaba?


quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Liniker

 Liniker é uma utopia, Caju! Ninguém vai correr atrás de nós no aeroporto pedindo para ficar , para não voar , para maneirar um pouco , ninguém vai pintar uma tela do nosso corpo nu , ou saber quantas tatuagens temos , e muito menos o peso do nosso coração! Eles só querem saber o tamanho da demanda! Angelina Dias

terça-feira, 10 de setembro de 2024

Quem liga ?

 Hoje foi um dia difícil! Tem sido dias difíceis, ouvi Ana Carolina cantando Relicário, Cássia Eller interpretava como ninguém essa canção, e parece que a Ana pegou todo o sentimento envolvido desde a composição feita por Nando Reis, interpretação da Cassia e ficou de uma profundidade tão absurda, que eu tive que fechar os olhos para sentir aquela canção que eu sempre gostei, mas me invadiu, arrebentou a porta com os dois pés! Em volta de mim acontecia um caos, a proatividade exacerbada que deposito em mim, a falta de noção dos outros, as dores! Eu cheguei em casa determinada a não faltar à academia, sei necessário, pois meu corpo precisa de todo bombardeio de hormônios que ali acontece! Mas hoje, mais do que os outros dias, a exaustão mental também invadiu meu corpo! E sabe que cair em si que ninguém quer saber da sua demanda, a não ser a sua terapeuta, que você precisa pagar todo mês! Ninguém quer ouvir que seu dia foi ruim, ninguém quer ouvir você chorar! Está todo mundo tão afundado em seus próprios problemas ou simplesmente viraram robôs caminhando por aí que ninguém liga! E isso me doeu até meu último fio de cabelo! E, além disso, onde eu enfio a minha preocupação pelo outro, a minha cabeça que não me dá sossego? Talvez eles estejam certos! Quem liga? Quem quer ouvir suas demandas? Ninguém, meu caro, ninguém! Errado, tá, você de estar sempre à disposição para o outro! Ninguém liga! É triste? Talvez! Mas ninguém liga! Que bom que existe a arte, hoje Relicário sendo repetido infinitas vezes me salvou de mim mesma! E eu penso: é assim que acaba? Angelina Dias 


10 de setembro

 Elena “ 10 de setembro. Minha garganta tá machucada, sempre teve. Não só por causa dos gelados, vento, frio, tensão, ansiedade, mas principalmente a consciência do medo, da falta de amor por mim, pela minha voz.”

sábado, 7 de setembro de 2024

É assim que…

 "Se você for capaz de se apaixonar de novo, se apaixona por mim”. Confesso que não li o livro“É assim que acaba” e nem procurei saber sobre o que a história falava, vi ele por diversas vezes passando de mãos em mãos no local onde trabalho, algo se movimentava dentro de mim todas às vezes que eu lia a capa daquele livro. O filme saiu e, na primeira vez que tentei assistir, todas as sessões haviam sido lotadas bem antes dos horários previstos! Eu não sei dizer a última vez que fui ao cinema, mas hoje um incômodo estranho me fez levantar do belo nada e ir com minha única companhia assistir ao tão falado filme, fui sem saber uma vírgula da história. De cara, entendi o que me chamou a ir! Eu fui movimentada em tantos lugares diferentes que eu não conseguia distinguir de fato o que eu estava sentindo. Em 2 horas e 11 minutos, eu senti tantas coisas que eu poderia pensar que estava sentada naquela cadeira por dias. Cenas e cenas se misturavam com as cenas do filme. Espanto, raiva, medo, tristeza, saudade, amor! Escrevo para que a digestão seja feita de uma forma mais rápida. Eu sei o que me levou a ir assistir àquele filme, o incomodo que me levou até aquele lugar, havia uma razão de existir. Não quero falar sobre, mas eu sei exatamente o que me movimentou todas às vezes, para até que enfim eu de fato soubesse daquela história. Sigo pensativa, digerindo, tentando entender os detalhes e as nuances, mas principalmente prestando atenção em mim. Naquele cinema, parecia não ter ninguém a não ser eu, sentada naquela poltrona, tendo um bombardeio de insights! Eu e a minha única companhia! É assim que acaba! É assim que acaba. Angelina Dias. 


sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Eterna

 Se te escrevo, te torno eterna no universo! As palavras não podem ser apagadas! Sentimentos são, rostos são, vivências são ou apenas um bloqueio de proteção que não nos deixa acessar tal episódio ou informação! Mas quando te escrevo, te torno eterna! Você será para sempre o que te escrevi, passem séculos e séculos, você será história, bem contada ou não, a depender de quem a leia! Mas eterna! Todo poeta que ama torna pessoas eternas, ainda que se vão, ainda que tudo acabe, ainda que tudo recomece, ainda que nada tenha fim, no mistério que é a vida! Se te escrevi, você será eterna!


domingo, 1 de setembro de 2024

 As minhas dores também precisam descansar, assim como meus olhos que as medicações se põem a dormir! Não tem espaço nem para mim mesma mais! Angelina Dias