quarta-feira, 2 de outubro de 2024

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 Mais uma noite chorando, implorando para que Deus me levasse! Isso deve soar tão egoísta, considerando que tantas pessoas pedem a Ele para permanecerem aqui. Mas a dor é tão profunda que já nem consigo senti-la; perdi o controle. Vou ao trabalho porque preciso cumprir meus compromissos, faço isso desde criança. Já quis ficar abraçada na cama com alguém o dia inteiro, mas não me permiti. Já quis não ir embora, mas também não me deixei.

Ontem, tudo o que vivi até aqui passou pela minha mente até que as medicações fizessem efeito e me apagassem. Lembrei de tantas coisas e tentei descobrir em que parte do caminho me perdi a ponto de não querer mais existir. Pedi perdão a cada pessoa que, de alguma forma, machuquei perante Deus. Apesar de estar desacreditada de tudo, sei que a força da energia existe, e espero que tenha alcançado o coração de cada uma dessas pessoas. Nunca machuquei ninguém intencionalmente, sempre pensei muito antes de falar e agir, mas, como qualquer ser humano, às vezes as coisas nos escapam. E por isso sinto muito.

Gostaria de poder olhar nos olhos dessas pessoas e pedir perdão, mesmo pelas menores ofensas, mas não posso. No entanto, se um dia eu não suportar mais, fica aqui registrado meu mais sincero pedido de desculpas. Tudo o que fiz de bom e bonito pelas pessoas foi de coração. Acho que me doei tanto que me esvaziei de mim mesma, esqueci quem sou e agora não sei mais o caminho de volta. O medo me tirou muitas coisas e também me protegeu de tantas outras, mas, sem dúvidas, ele me roubou muito mais.

Sinto-me fora do meu próprio corpo, cumprindo apenas a tarefa de existir, sem vontade de nada, nem mesmo de ficar deitada na cama, o que também me angustia. A música, que antes me movia, agora me atormenta, pois minha mente está cheia demais. Está chegando o dia de realizar algo que por tanto tempo foi um sonho: conhecer Maria Bethânia. E, ainda assim, vou sem a menor vontade. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Pode ser que, mesmo tendo comprado tudo, pago o hotel, etc., eu acabe não indo.

Já não consigo mais apreciar coisas que antes me encantavam, como araras, o pôr do sol, comer, dormir. Não vou mais à minha casa. Não quero ajuda; simplesmente perdi toda a vitalidade. Não posso conversar com as pessoas porque elas sempre têm "fórmulas mágicas" e muito pouco acolhimento. Entendo que cada um tem seus problemas, suas demandas, suas rotinas, e tudo bem. Por isso, escrevo: para tentar permanecer.

"Hey, vai pra academia, vai pra terapia!" Eu não consigo nem me levantar da cama para trabalhar. Cada dia está sendo mais difícil. No desespero, procurei alguém que conheci em Brasília, uma pessoa que lê cartas (eu nem sei se acredito nisso). Ela leu. Está insistindo para que eu faça constelação familiar, me manda mensagens todos os dias, até se ofereceu para que eu pagasse depois. Até marquei, mas, alguns minutos depois, desmarquei. Sinto-me como se estivesse em uma rua cheia de gente, onde mil vozes falam ao mesmo tempo e eu não consigo encontrar a saída.

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