segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
Zzzz
Hoje eu quis muito que o mundo estivesse no mute, e parecia que quanto mais eu ansiava pelo silêncio mais o mundo gritava dentro e fora de mim. Eu senti muita dor no peito, um frio que não passa desde ontem e a sensação de que, de fato, tem um elefante enorme sentado bem no meio do meu peito. “O que foi? O que você tem? Está tudo bem? Quer que eu vá aí? Como posso te ajudar?” Ninguém teve resposta, não porque eu não queria falar. Tudo bem, eu também não queria falar, mas é que eu não sei. Eu realmente não sei.
Hoje a máscara que eu uso pra ser não colou. Me escondi até debaixo de uma mesa no meu descanso e apaguei por lá mesmo, completamente exausta. O que eu mais li hoje foi “que dezembro seja meu final feliz”. As pessoas devem estar mais esperançosas, pois nessas datas que antecedem o começo de um novo ano e o final de outro, o que eu mais lia era “ano passado eu morri e esse ano de novo”. O que será que seria o final feliz? O dos contos de fadas ou o do capitalismo selvagem? A resposta é muito óbvia: silêncio.
Eu não estou melhor, o remédio é que tenta me deixar meio apática, mas sentimentos fortes rompem as barragens de maneira a alagar tudo como em um susto, e aí eu me afogo outra vez, como tartaruguinhas que saem dos ovos e tentam por instinto entrar no mar e as ondas devolvem elas. Mas a questão é que elas não desistem. E aí eu lembro da Dory do desenho: continue a nadar, continue a nadar. Mas eu não quero mais nadar.
Uma professora brinca comigo: como diz na novela, Taynã, tudo de ruim que acontece na vida é pra melhorar. Falei “poxa vida, posso esperar o paraíso então?”, e saí ansiando por um silêncio e uma quietude que aquele lugar jamais poderia me oferecer. Existe uma frase que eu amo que diz mais ou menos assim: você é meu minuto de silêncio em um mundo que grita sem intervalos. Eu não sei de quem é ou se eu inventei. Minha cabeça está igual a da Dory mesmo. Já cochilei algumas vezes aqui. Preciso parar. Meu corpo entrou em exaustão. Talvez eu volte, ou não.
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