sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Finitude

Dia de despedidas, e eu detesto me despedir. Tenho uma dificuldade imensa de pensar no fim. O ciclo de muitos meninos se encerrou ali naquele lugar hoje, e pude ver o medo, a ansiedade, o mundo inteiro de possibilidades, mas são crianças um pouco crescidas com medo das incertezas da vida lá fora. Hoje eu escrevi em infinitas camisetas, chorei, permiti que me abraçassem e foi uma mistura de dever cumprido, porque eu sei que dei o meu melhor para eles e muitos deles também me deram o melhor do que tinham. Nesses últimos dias eles têm me enchido tanto de amor que eu acho que foi Deus dizendo muitas coisas para mim, e Ele me alcançou através deles. Têm sido dias difíceis e eu com certeza precisava desse afeto. Obrigada. E, pela primeira vez, eu não termino o ano com medo de não ter esse emprego no próximo ano, porque meu coração se acalmou e, de fato, eu consegui entregar para Deus e para a espiritualidade. Eu entendi que eu não tenho o amanhã nem o que passou, eu só tenho esse segundo em que escrevo. Passo em frente a um cemitério que faz parte do meu trajeto de volta para casa. O carro parou e muitas pessoas estavam atravessando a rua para uma última, derradeira despedida, a mais doída de todas. Eu fui completamente atravessada e comecei a arrepiar o meu corpo inteiro e fiquei triste. Parece que eu consegui, em segundos, focar os olhares de dezenas de pessoas e prestei atenção na quantidade de pessoas muito jovens ali. A despedida está nos acompanhando o tempo todo, gostando ou não. Ela me atravessou de maneiras diversas hoje e, no final do dia, o fim da carne, a real despedida daqui e a mais dolorosa me alerta para a certeza de que, para todos nós, hoje pode ser o último dia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário