quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
Sim
Sim! O “sim” foi destruindo quem eu sou desde muito pequena. Meu pai me criou para ser uma cópia dele e a maioria das pessoas que convivem comigo e com ele, na intimidade, dizem que somos muito parecidos. Descobri na terapia que eu precisava aprender a dizer não. Meu pai diz que minha terapeuta foi horrível para mim, que fiquei “boca dura”. Minha ex, que inclusive foi quem me apresentou a ela porque já havia sido paciente, fala aos quatro cantos que ela é péssima; chegou a culpá-la diversas vezes pelo nosso fim. Mas foi ela quem me salvou de mim mesma tantas vezes que não caberia discorrer aqui. Tantas vezes os ouvidos dela foram o único colo que eu tive.
Não estou culpando ninguém, mas eu tive que revisitar algumas coisas para entender o porquê de várias coisas, sobretudo da minha saúde mental. Por que eu permiti e permito determinadas coisas? Por que tenho dificuldade em dizer não, em colocar limites quando estou sendo magoada ou desrespeitada? Por que eu perdoo com facilidade, mas quando erro me martirizo eternamente? Temos a ideia de que o sim abre portas e possibilidades, mas o sim me afastou de quem eu sou. Agora, depois de adulta, é tão difícil recalcular a rota. Eu continuo dizendo sim para inúmeras coisas que eu gostaria de responder com um enorme não.
Pensando sobre isso, entendi talvez de onde vem a ansiedade de sair, de estar no meio de muitas pessoas: eu fiz isso infinitas vezes sem querer, e isso me angustiava. Só sou respeitada quando não há grosseria nem palestra sobre como precisamos agir, porque me tornei uma pessoa extremamente ansiosa e deprimida. É esse o único motivo? Obviamente não, mas talvez seja uma parte bem razoável de tudo isso. Meu pai continua distribuindo sins enquanto se adoce internamente e entristece minha mãe. Amamos o próximo a partir do amor que temos por quem mais convivemos, porque é ali que vivemos a experiência de partilhar: de conhecer o mais bonito, mas também o mais difícil do outro.
Gostaria que ele despertasse para o que venho fazendo, em passos pequenos, tomando consciência. Sei da dificuldade, mas sei também do buraco que me levou.Como canta Tim Bernardes "No dia que eu fui embora
Resolvi
Deixar pra trás minha história
Descobrir
Entender quem sou agora
Ir e vir
Quem sabe eu vá me encontrar
Por aí
Milhas e milhas distante
Anos e anos depois
Muita, mas muita esperança
Você tenta
Você tenta também
Você tenta
Você tenta ir além
No dia que eu fui embora
Resolvi
Deixar pra trás minha história
Descobrir
Entender quem sou agora
Ir e vir
Quem sabe eu vá me encontrar
Por aí
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