sexta-feira, 22 de agosto de 2025
O dia de ontem foi denso, difícil, conturbado. Desde o momento em que aquele homem entrou na escola com sua fúria, a energia ficou caótica. O que socorrer primeiro? Eu esqueço que estou arrebentada, custando a me levantar da cama, e vou para a guerra!
Sabe quando a gente corta laços, decide não saber mais nada de alguém, mas o espiritual grita em você? Não existe distância física, ressentimento, chateação… nada disso impede de perceber que alguma coisa está acontecendo, seja ela boa ou ruim.
Ontem, antes de dormir, tive uma crise de choro intensa, dolorida. Aquele choro silencioso, sabe? Que parece arrebentar tudo por dentro. Eu estava tão cheia de pensamentos, de músicas, de pessoas… mas você sobressaiu de uma forma forte demais. Não é a primeira nem a segunda vez que isso acontece.
E em meio ao choro silencioso como costumava ser o seu eu fiz minhas preces para você. Fiz com fé, com energia. Depois, enquanto rolava os vídeos em uma rede social, esperando o remédio agir… eu, que nunca gostei de rezas prontas, sempre achei que tinha intimidade para conversar com Jesus como se estivéssemos no monte batendo um papo, me deparei com um vídeo de Maria Bethânia rezando a Salve Rainha. Foi da forma mais bonita que já vi, seguida de uma música linda que ela cantava depois.
Eu fechei os olhos e chorei mais. Mas, dessa vez, chorei com uma certeza que raramente tenho. Confesso que ando com a fé meio vacilante, mas naquele instante eu tive certeza de que te alcançaria. E que, independente do que estivesse acontecendo, você iria receber sem nunca precisar saber de onde partiu. O importante era que chegasse.
E eu espero, de verdade, que isso tenha acontecido. https://youtube.com/shorts/P25DK089XNI?si=ndwxPMDe1bY01geW
segunda-feira, 18 de agosto de 2025
Amor
Em quantas histórias e para quantas pessoas será que já morremos? Será que realmente morremos? Ou apenas ficamos em algum canto qualquer?
Um órgão tão pequeno e tão poderoso diante da imensidão do todo o coração parece ter lugares inimagináveis. A memória parece ir até lá, abrir a gavetinha onde o sentimento está ou, então, passar correntes e milhões de cadeados para que não sejam acessados. Mas, ainda assim, ele pulsa com todas as suas fibras, que gosto de imaginar serem linhas entrelaçadas, emaranhadas pelo amor: linhas finas, grossas, infinitas, remendadas ou partidas, mas sempre da mesma cor vermelhas. Como em uma arte que vi em que linhas vermelhas entrelaçadas formavam um coração, a representação do amor em forma de um órgão!
Sem dúvidas, o que mais gostei em minha passagem por esta vida foi a possibilidade de amar. Claro que eu gostei muito de ser amada, mas amar foi o que eu mais gostei, disparadamente. Amar foi como ver todos os planetas a olho nu; como ter visto todas as conchinhas existentes no planeta inteiro; como se todos os corpos celestes luminosos que prefiro chamar apenas de estrelas clareassem a mata fechada, e Jurema me encontrasse por lá, rodeada de animais.
Amar foi como se eu tivesse conhecido a aurora boreal, como se fosse dia diante do mar azul e os raios de sol atravessassem minha pele, permitindo-me sentir algo específico demais. Amar foi como se as músicas mais bonitas tivessem atravessado meus ouvidos e se instalado em alguma gavetinha entreaberta no meu coração, eternas.
Amar foi como se lindas araras e tucanos pousassem em meus dedos, livres para virem e livres para voltarem. Amar foi como voltar para casa sem medo de nada, nem mesmo da vida. Amar foi voltar para casa depois que tudo havia sido arrastado pelos ventos, foi lar.
Amar foi como ver flores desabrochando sob meus olhos, etapa por etapa. Foi como se nunca mais morresse, como se nunca mais doesse, como se fosse eterno. E será que, desta terra, o que quero levar é apenas o amor. Uma musica está martelando em mimha mente:"Parece cocaína, mas é só tristeza
Talvez, tua cidade
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão
Descompasso, desperdício
Herdeiros são agora da virtude que perdemos
Há tempos tive um sonho
Não me lembro
Não me lembro
Tua tristeza é tão exata
E hoje, o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso
Os sonhos vêm e os sonhos vão
O resto é imperfeito
Disseste que se tua voz tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira
E há tempos, nem os santos
Têm ao certo, a medida da maldade
E há tempos, são os jovens que adoecem
E há tempos, o encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
E só o acaso estende os braços
A quem procura abrigo e proteção
Meu amor
Disciplina, é liberdade
Compaixão, é fortaleza
Ter bondade, é ter coragem (e ela disse)
Lá em casa tem um poço
Mas a água é muito limpa (limpa)"
sexta-feira, 15 de agosto de 2025
Não tenho medo da morte
Estou no trabalho. Corro para a sala da minha colega grávida é o único refúgio que tenho, o único lugar onde posso me esconder. Aqui, ninguém entende que, mesmo desmaiada, ainda me chamariam. Encosto-me no canto e o choro vem como um rompimento súbito de barragem, arrastando tudo: a força, o fôlego, a vontade.
Meu corpo inteiro arrepia sem trégua. As lágrimas caem tanto que chegam ao chão, e eu escondo o rosto com medo de que algum aluno entre a porta está sempre aberta. Mas não consigo parar.Vou me afogar!
Ela, quase ganhando o bebê, quer me ajudar. Eu sei que não é fácil fazer o que eu preciso fazer lá fora .Peço apenas que me busque um pedaço de papel higiênico, para secar o rosto e, com uma máscara de normalidade, voltar para fora, fingindo que nada aconteceu. Tento respirar, mas o ar parece fugir de mim.
O disfarce falha. Perguntas me atingem como enxurrada. Se eles soubessem que isso é quase diário, não haveria surpresa só silêncio.
Tenho vontade de largar tudo e desaparecer. Rodo pela escola até as pernas cederem, mas ainda quero sair daqui. Tento me conter, mas não desejo voltar para lugar algum só queria que a dor parasse, que essa angústia que me devora por dentro soltasse meu corpo.
O arrepio me percorre como uma presença estranha. Não tenho medo da morte, que me chama sem descanso. Tenho medo é da vida.
quarta-feira, 13 de agosto de 2025
13 de agosto
"Prometemos segundo nossas esperanças e cumprimos segundo nossos medos."
(La Rochefoucald in Reflexoes): Reflexões)
terça-feira, 12 de agosto de 2025
Há várias formas de morrer
Não se morre apenas quando se fecham os olhos e o coração para de bater. Não se morre apenas quando os pulmões param de fazer as trocas gasosas :ventilação, difusão, transporte. Não se morre apenas quando o sangue para de circular ou quando os rins deixam de exercer sua função. Dizem que a alma é eterna, e eu acredito nisso, mas quando ela adoece é como se morresse e isso, infelizmente, acontece com tantas pessoas.
Acho que uma parte de mim começou a morrer já na infância, mas eu bloqueei isso em mim, como é típico de um episódio pós-traumático, e continuei a vida de mãos dadas com a inocência e a esperança que moravam no meu coração de criança. Fui morrendo e renascendo, perdendo um pedaço aqui, outro ali como é a vida da maioria das pessoas.
Nasci com uma intuição apurada, uma sensibilidade exagerada, e em vários momentos da minha existência eu sentia que não cabia em lugar algum. Mas a vida precisava acontecer, e fui me atropelando, me encolhendo, deixando de me escolher todas as vezes em que deveria ter feito isso, apenas para sentir que eu cabia, que eu fazia parte do mundo, que eu agradava. Compreendi que o mundo não pararia para que eu curasse minhas dores. A maioria das pessoas não quer saber das histórias tristes dos outros aprendi a não generalizar com “sempre” ou “nunca”.
Cresci me sentindo um peso e tentava compensar isso incomodando o menos possível. Não fazia traquinagens, era uma boa aluna, boa filha. Mesmo sendo criança ou adolescente, tinha um cuidado exagerado para não decepcionar ninguém. Sempre fui chorona, pois tudo me doía demais, mas aprendi a chorar escondido. Meus pais contam que, nem bebê, eu dava trabalho.
Quando me tornei adulta, continuei carregando coisas pesadas que a maioria das pessoas ao meu redor não fazia e ainda não faz ideia. Continuei permitindo muitas coisas e, a cada dia, me encolhendo para, se possível, não ser vista. Como aquelas crianças que tapam os olhos acreditando que, assim, ninguém as vê e que, de certa forma, tornam-se invisíveis.
Morrer em vida parece inconcebível, mas é real. Desistir de si mesma, abandonar-se, sentir que não se encaixa no mundo, mas agora sem a esperança que segurava firme a mão daquela criança… Não conseguir mais ser quem se era não dói só em mim; e, quando passa a doer no outro, tudo se torna ainda mais insuportável.
Eu quero ir embora. Quero muito, muito mais do que as pessoas possam imaginar.
“Também morrem os lugares onde fomos felizes.”
quinta-feira, 7 de agosto de 2025
Fundo
No fundo de tudo o mundo, no fundo do
fundo do meu coração, no fundo daquilo que
não foi, do fundo ao fundo do que não era,
do mais fundo do fundo o que não será.
Do fundo profundo dos meus olhos castanhos,
do fundo mais fundo da dor,
do imenso buraco fundo em que caí,
do fundo o corpo de uma pena,
do fundo mais fundo no umbigo do mundo
mas que a corda, alcança.
No fundo do meu silêncio moram
todas as palavras do mundo.
Do fim de tudo que, no fundo, não me alcança mas me lança.
Do fim do mundo que mora em mim.
– Angelina
sexta-feira, 1 de agosto de 2025
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