segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Amor

Em quantas histórias e para quantas pessoas será que já morremos? Será que realmente morremos? Ou apenas ficamos em algum canto qualquer? Um órgão tão pequeno e tão poderoso diante da imensidão do todo o coração parece ter lugares inimagináveis. A memória parece ir até lá, abrir a gavetinha onde o sentimento está ou, então, passar correntes e milhões de cadeados para que não sejam acessados. Mas, ainda assim, ele pulsa com todas as suas fibras, que gosto de imaginar serem linhas entrelaçadas, emaranhadas pelo amor: linhas finas, grossas, infinitas, remendadas ou partidas, mas sempre da mesma cor vermelhas. Como em uma arte que vi em que linhas vermelhas entrelaçadas formavam um coração, a representação do amor em forma de um órgão! Sem dúvidas, o que mais gostei em minha passagem por esta vida foi a possibilidade de amar. Claro que eu gostei muito de ser amada, mas amar foi o que eu mais gostei, disparadamente. Amar foi como ver todos os planetas a olho nu; como ter visto todas as conchinhas existentes no planeta inteiro; como se todos os corpos celestes luminosos que prefiro chamar apenas de estrelas clareassem a mata fechada, e Jurema me encontrasse por lá, rodeada de animais. Amar foi como se eu tivesse conhecido a aurora boreal, como se fosse dia diante do mar azul e os raios de sol atravessassem minha pele, permitindo-me sentir algo específico demais. Amar foi como se as músicas mais bonitas tivessem atravessado meus ouvidos e se instalado em alguma gavetinha entreaberta no meu coração, eternas. Amar foi como se lindas araras e tucanos pousassem em meus dedos, livres para virem e livres para voltarem. Amar foi como voltar para casa sem medo de nada, nem mesmo da vida. Amar foi voltar para casa depois que tudo havia sido arrastado pelos ventos, foi lar. Amar foi como ver flores desabrochando sob meus olhos, etapa por etapa. Foi como se nunca mais morresse, como se nunca mais doesse, como se fosse eterno. E será que, desta terra, o que quero levar é apenas o amor. Uma musica está martelando em mimha mente:"Parece cocaína, mas é só tristeza Talvez, tua cidade Muitos temores nascem do cansaço e da solidão Descompasso, desperdício Herdeiros são agora da virtude que perdemos Há tempos tive um sonho Não me lembro Não me lembro Tua tristeza é tão exata E hoje, o dia é tão bonito Já estamos acostumados A não termos mais nem isso Os sonhos vêm e os sonhos vão O resto é imperfeito Disseste que se tua voz tivesse força igual À imensa dor que sentes Teu grito acordaria Não só a tua casa Mas a vizinhança inteira E há tempos, nem os santos Têm ao certo, a medida da maldade E há tempos, são os jovens que adoecem E há tempos, o encanto está ausente E há ferrugem nos sorrisos E só o acaso estende os braços A quem procura abrigo e proteção Meu amor Disciplina, é liberdade Compaixão, é fortaleza Ter bondade, é ter coragem (e ela disse) Lá em casa tem um poço Mas a água é muito limpa (limpa)"

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