segunda-feira, 28 de outubro de 2024
Se eu puder deixar uma última mensagem!
quarta-feira, 2 de outubro de 2024
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Mais uma noite chorando, implorando para que Deus me levasse! Isso deve soar tão egoísta, considerando que tantas pessoas pedem a Ele para permanecerem aqui. Mas a dor é tão profunda que já nem consigo senti-la; perdi o controle. Vou ao trabalho porque preciso cumprir meus compromissos, faço isso desde criança. Já quis ficar abraçada na cama com alguém o dia inteiro, mas não me permiti. Já quis não ir embora, mas também não me deixei.
Ontem, tudo o que vivi até aqui passou pela minha mente até que as medicações fizessem efeito e me apagassem. Lembrei de tantas coisas e tentei descobrir em que parte do caminho me perdi a ponto de não querer mais existir. Pedi perdão a cada pessoa que, de alguma forma, machuquei perante Deus. Apesar de estar desacreditada de tudo, sei que a força da energia existe, e espero que tenha alcançado o coração de cada uma dessas pessoas. Nunca machuquei ninguém intencionalmente, sempre pensei muito antes de falar e agir, mas, como qualquer ser humano, às vezes as coisas nos escapam. E por isso sinto muito.
Gostaria de poder olhar nos olhos dessas pessoas e pedir perdão, mesmo pelas menores ofensas, mas não posso. No entanto, se um dia eu não suportar mais, fica aqui registrado meu mais sincero pedido de desculpas. Tudo o que fiz de bom e bonito pelas pessoas foi de coração. Acho que me doei tanto que me esvaziei de mim mesma, esqueci quem sou e agora não sei mais o caminho de volta. O medo me tirou muitas coisas e também me protegeu de tantas outras, mas, sem dúvidas, ele me roubou muito mais.
Sinto-me fora do meu próprio corpo, cumprindo apenas a tarefa de existir, sem vontade de nada, nem mesmo de ficar deitada na cama, o que também me angustia. A música, que antes me movia, agora me atormenta, pois minha mente está cheia demais. Está chegando o dia de realizar algo que por tanto tempo foi um sonho: conhecer Maria Bethânia. E, ainda assim, vou sem a menor vontade. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Pode ser que, mesmo tendo comprado tudo, pago o hotel, etc., eu acabe não indo.
Já não consigo mais apreciar coisas que antes me encantavam, como araras, o pôr do sol, comer, dormir. Não vou mais à minha casa. Não quero ajuda; simplesmente perdi toda a vitalidade. Não posso conversar com as pessoas porque elas sempre têm "fórmulas mágicas" e muito pouco acolhimento. Entendo que cada um tem seus problemas, suas demandas, suas rotinas, e tudo bem. Por isso, escrevo: para tentar permanecer.
"Hey, vai pra academia, vai pra terapia!" Eu não consigo nem me levantar da cama para trabalhar. Cada dia está sendo mais difícil. No desespero, procurei alguém que conheci em Brasília, uma pessoa que lê cartas (eu nem sei se acredito nisso). Ela leu. Está insistindo para que eu faça constelação familiar, me manda mensagens todos os dias, até se ofereceu para que eu pagasse depois. Até marquei, mas, alguns minutos depois, desmarquei. Sinto-me como se estivesse em uma rua cheia de gente, onde mil vozes falam ao mesmo tempo e eu não consigo encontrar a saída.
terça-feira, 1 de outubro de 2024
Meu coração não nasce flores
quinta-feira, 26 de setembro de 2024
Amor dos bons!
Ontem foi a missa de 7º dia do meu tio. Eu não costumo frequentar igrejas católicas, mas não deixaria de ir à última homenagem a uma pessoa tão querida. Para mim, e para tantas outras pessoas (a igreja estava lotada), ele foi um exemplo em muitos aspectos importantes na vida de um ser humano. Mas o que sempre me encantou mais profundamente foi o amor, o respeito, a cumplicidade e o romantismo que ele dedicava à sua esposa. Foi, de fato, um daqueles amores!
Ontem, mesmo não estando mais aqui, ele conseguiu nos surpreender mais uma vez: compôs uma música para ela, deu-lhe o nome e pediu que cantassem essa canção durante a cerimônia, junto com a entrega de um buquê de flores. Foi uma das cenas mais bonitas que já presenciei na minha vida. Era possível sentir o amor dele preenchendo a igreja de ponta a ponta. Obviamente, chorei bastante e fiquei profundamente emocionada. Por um instante, pensei: será que ainda existe um amor assim? Um amor verdadeiro, que perdure? Que não ameace partir na primeira briga ou desentendimento?
Fiquei refletindo sobre o que Zygmunt Bauman disse sobre a modernidade líquida e tive medo de nunca mais amar ou ser amada dessa forma. Estamos constantemente erguendo muros de proteção em vez de construirmos pontes. Sufocamos o que sentimos, sempre desconfiados do outro, e acabamos nos furtando do próprio amor. Não nos sentamos para conversar, apenas vamos embora, acreditando que o outro não gosta de nós o suficiente. Alguns se afastam porque não se comunicam, outros porque amam de um jeito diferente daquele a que fomos acostumados com outros amores.
Não existe ninguém perfeito. Nem nós, nem o outro seremos. O amor é uma construção diária. Mas, ao construir muros ao invés de pontes, podemos nos condenar à solidão. Não que seja necessário ter alguém para ser feliz ou se sentir completo, mas como é bom dividir a vida, compartilhar momentos – sejam felizes ou tristes – com quem se gosta e se ama, com alguém disposto a construir algo memorável. Alguém que pense em você e na sua dor, até mesmo quando não estiver mais aqui. Esse, sim, é um amor dos bons.
Angelina Dias
domingo, 22 de setembro de 2024
22 de setembro
Pensei muito em você hoje, e há tempos não pensava. Sinto que houve um bloqueio de proteção absurdo! Não sei, não tenho a menor noção do motivo pelo qual isso pode estar acontecendo. Não é saudade, mas um pensamento forte. Reflito e tento entender com calma, mas não chego a nenhuma conclusão, apesar de considerar mil coisas diferentes que poderiam me fazer lembrar de você dessa maneira. Bate uma preocupação, mas prefiro acreditar que não seja nada negativo. Apesar de não ter energia nem para o meu próprio corpo neste momento, de alguma forma emano energia e pensamento positivo em sua direção. É uma sensação estranha; não sei nem o que escrever. Em poucos momentos, as palavras me faltam dessa maneira!
sexta-feira, 20 de setembro de 2024
Vazio
Quando eu era criança eu tinha medo do escuro, não conseguia dormir sozinha, o medo era tanto que quando eu tinha que fazer isso eu ficava debaixo do cobertor por completo suando frio e em pânico eu também tinha sonambulismo, a ponto de pegar o uniforme da escola, as 20 horas da noite, tomar banho e ir, e ser pega e “acordada” pelos meus pais para voltar para cama! A ansiedade já parecia instalada no meu DNA! Hoje eu me vejo como aquela criança escondida debaixo do cobertor, são 04:30 da manhã e eu já estou acordada, tendo uma crise de ansiedade daquelas que dão diarreia! Ontem, uma pessoa muito querida da nossa família partiu, rodeado por sua família, com uma médica em casa e com sua amada mulher, a quem ele amou como um ser humano deve ser amado. Ele escreveu até uma música para cantarem no velório dele! Eu fui, abracei toda a família, mas não suportei ficar lá muito tempo, já há vazio demais em mim! Não pude não lembrar do meu avô, parecia que estava tudo se repetindo! O mesmo local de velório, as mesmas pessoas reunidas, a minha avó chorava bastante, a viúva que é irmã dele também! Me encostei na parede meio acuada, olhando tudo em volta e chorando como quando você não quer que ninguém veja. Meus pais me chamam para me sentar perto, não consigo, continuo encostada na parede! E diante de toda a dor de todas aquelas pessoas, eu direcionei o olhar para onde ficaria o caixão, e me imaginei lá, apesar do alívio que aquilo me causava, quando vi minha avó chorando pelo cunhado tão querido! Pensei: como eu poderia fazer isso com ela? E com meus pais, que estão sofrendo tanto de me verem dessa maneira? Foi ficando tão insuportável que fui embora, não me despedi de ninguém, apenas fui! Eu, a minha dor, meu vazio, a minha tristeza, minha ansiedade violenta! E eu não tenho mais medo do escuro! Não sei se isso pode ser bom ou ruim! Angelina.
sábado, 14 de setembro de 2024
28 de abril de 2024
No dia em que Luiza estava completamente decidida a ir embora para sempre de qualquer lugar que fosse no Polo Norte mais exatamente na Noruega, Sebastian fez acontecer a Aurora Boreal, com a lua mais brilhante que poderia um ser humano ver sob a terra. Luiza ficou tão encantada, envolvida, como se as cores da aurora a fizessem flutuar. Luiza esquecera qualquer coisa.
Pensando que a atravessava, a luz brilhante da lua fez com que Luiza ficasse, ainda que tudo doesse. Sebastian sabia disso, de onde ele estivesse faria a Aurora acontecer para que Luiza permanecesse. Angelina Dias.
