terça-feira, 6 de outubro de 2026

Eis-me aqui

Eis-me aqui, olhando para o espelho enquanto as lágrimas se derramam, como se fossem alagar seja lá o que for: o chão ou meu coração. A essa altura, pouco importa! Eu sou fraca, lânguida. Viver me corta a carne, e vestir a máscara social me adoece um pouco a cada dia, como se fragmentos de mim ficassem pairando enquanto me forço a estar aqui, porque não posso fazer os meus sofrerem. Como poderia? Passei a vida tentando ser tudo o que esperavam de mim e estou fracassando miseravelmente. Não posso mais pedir o colo de minha mãe enquanto choro feito uma criança perdida no parque! Eu não consigo ser nada. Estou perdida no labirinto de mim mesma. Enquanto o medo me paralisa, eu morro e ninguém vê. Não tem sangue, não tem funeral, apenas morta, como um corpo que perambula ao encontro de nada. Nunca fui o que nasci para ser, porque essa liberdade me falta! Peço a Deus por uma misericórdia divina que me arranque da lama, mas parece uma areia movediça que me engole inteira, até que me falta o ar! As pessoas têm medo que eu me mate, mas não viram que eu já estou morta. Não mora o futuro no meu coração, e é complexo e doloroso explicar isso, principalmente para quem me ama. Queria a simplicidade de ir como um passarinho que bate as asas e parte.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Depois rasgo

Eu pensava que queria ser amada em voz alta e talvez eu até já tenha sido amada dessa maneira, ou talvez tenha achado que fui. Quem vai saber? O que é o amor? Às vezes fico pensando que perdi a capacidade de amar alguém romanticamente e também de ser amada, o que é muito curioso vindo de alguém que odeia estar sozinha nesse aspecto. Mas eu me isolei, me escondi, perdi o resto da autoestima que me restava, do pouco que eu tinha. Há tantas coisas que acho uma pena, o quanto essa doença me toma diariamente. Tenho uma pena danada de como me vejo, interiormente e exteriormente. As pessoas dizem coisas muito bonitas, mas, quando você não consegue enxergar nada disso em si mesma, parece que nada vale. Porque existem coisas que precisam vir de nós e somente de nós. Ninguém pode ter poder sobre isso. Às vezes me sinto como aqueles poetas românticos que se embebedavam de amor. Como diz Adriana Calcanhotto, em uma de suas canções, “escrevo longas cartas para ninguém…”. Talvez eu tenha me tornado um pouco assim: escrevo, sinto, me entrego em palavras e, depois, rasgo tudo dentro de mim. Como quem ama mesmo quando já não sabe mais como amar. Como quem ainda espera, mesmo sem saber exatamente o que está esperando. Talvez o amor seja isso também: essa coisa que a gente tenta entender, nomear e guardar, mas que, no fim, continua sendo um mistério.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Kafka

"Entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer."Franz Kafka

domingo, 13 de setembro de 2026

O que não cabe

A MIM A NUDEZ DE SER QUEM NAO CABE EM SI MESMA .

Esquecer de mim

Caiu no chão aos prantos. Vi de longe e corri. Sei o que é isso. “Levanta do chão, vem comigo…” Eu, carregando meu corpo cansado e o dele, de um rapaz alto, magro e de um coração grandão. Sento com ele e deixo ele desaguar. Chorava, se espremia, soluçava, puxava a camiseta na altura do peito, como quem põe para fora tudo aquilo que o afogava. E ele repetia sem parar: “Estou segurando há muito tempo.” Ele estava sofrendo de amor, ou do que ele acha que é amor. Parece-me que o amor só está fazendo morada nele. “Tudo o que eu faço é insuficiente.” Eu queria dizer para ele ir embora, mas não posso. Só ele poderia entender. “Eu levo ela em casa. Eu moro aqui do lado. Levo ela longe, em casa, e volto a pé. Pego florzinha para ela na rua.” Essa parte me pegou. Escrevo cartas à mão. “Tento mudar tudo em mim que incomoda ela.” Tive vontade de dizer novamente que ele fosse embora. “Você gosta dela?” “Eu a amo!” “E ela gosta de você?” Ele responde bem baixinho que sim. Nem ele acredita nisso. Pensei… a vida vai ser mais difícil para esse rapazinho. Mas eu diria a ele para não mudar o jeito dele, apenas para se atentar a quem deixa entrar e fazer morada. Um dia, li um trecho de Caio Fernando Abreu em que ele dizia: “Um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim.” Por alguns longos minutos, ele fez com que eu esquecesse de mim.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Setembro vermelho

Setembro Amarelo! Mas, para mim, janeiro foi preto, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho e agosto! Hoje é Setembro "Amarelo" e ontem também foi. Às vezes, é amarelo todos os dias, o tempo todo! Queria que todas as vezes que eu tivesse uma crise de choro, como a que acabo de ter, as lágrimas fossem como sangue. Talvez assim as pessoas entendessem a dor real, aquela que só enxergam quando é palpável, visual. As doenças mentais são desacreditadas por uma parcela muito grande da sociedade. É tão hipócrita esse “Setembro Amarelo” enquanto estão literalmente cagando! Eu quero desistir. Eu quero muito desistir. Minha mente está barulhenta demais, pensando em cenários horríveis, e meu corpo está completamente exausto! Minha mãe não consegue se aproximar de mim quando tenho uma crise. Fico chorando sozinha até me autorregular. Não é um julgamento, mas me dói. É triste chorar sozinha, né? Quando você está com sua mãe? Eu não sei o que ela sente. Minha mãe nunca foi de abraçar, de beijar. Acho que foi como ela foi criada, mas ela não quebrou esse ciclo, ela o replicou. E aí parece que a dor é mais latejante, porque você quer um colo, um abraço, e eu não tenho isso de ninguém. Eu me desacostumei até disso. Eu nunca fui muito de abraçar as pessoas. Agora, eu não sei quando fiz isso pela última vez. Eu falhei. Fracassei na vida! EU FRACASSEI e ainda tenho que continuar aqui, sem a menor vontade de que isso continue! Ninguém entende. Ninguém aceita! Mas eu não quero mais. Simples assim. A vida me dói do fio de cabelo aos dedos dos pés.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Trilho

A minha memória me trai , sempre que estou em um dia muito ruim ela vem como um tornado me trazendo momentos dolorosos e com uma clareza como se tivesse acontecido ontem e isso me atravessa de uma maneira extravagante de uma maneira que lateja , que faz meu coração bater de uma forma desajustada e o que tem me atormentado a tanto tempo é você, você me atormenta a mente : “você me abandonou , você é podre, aquela doida, a falecida”. Eu acho que isso desapareceu mas de repente me invade e sai derrubando tudo, bagunçando, levantando os móveis, derramando o café quente no chão e eu estou tentando limpar mas parece que manchou e não sai! Eu não sei se é você que me prende, me segura ou sou eu que me prendo e não é bom, muito pelo contrário eu estou paralisada sobre os trilhos de um trem descarrilhado! Me deixa ir embora ? Por favor me deixa ir o trem vai me atropelar e não vai ter mais volta, depois do trem é o fim ou o começo de algo pior, me perdoa , deixa eu me perdoar me deixa ir seja pra aonde for mas sem arrastar essa mala que é pesada demais e as rodinhas estão quebradas! Eu quero morrer mas é com a necessidade de nascer de novo, seja nessa vida ou em outra, dizem que as vezes a gente precisa morrer pra nascer de novo! O trem vem aí preciso sair do trilho senão …