terça-feira, 29 de setembro de 2026

Depois rasgo

Eu pensava que queria ser amada em voz alta e talvez eu até já tenha sido amada dessa maneira, ou talvez tenha achado que fui. Quem vai saber? O que é o amor? Às vezes fico pensando que perdi a capacidade de amar alguém romanticamente e também de ser amada, o que é muito curioso vindo de alguém que odeia estar sozinha nesse aspecto. Mas eu me isolei, me escondi, perdi o resto da autoestima que me restava, do pouco que eu tinha. Há tantas coisas que acho uma pena, o quanto essa doença me toma diariamente. Tenho uma pena danada de como me vejo, interiormente e exteriormente. As pessoas dizem coisas muito bonitas, mas, quando você não consegue enxergar nada disso em si mesma, parece que nada vale. Porque existem coisas que precisam vir de nós e somente de nós. Ninguém pode ter poder sobre isso. Às vezes me sinto como aqueles poetas românticos que se embebedavam de amor. Como diz Adriana Calcanhotto, em uma de suas canções, “escrevo longas cartas para ninguém…”. Talvez eu tenha me tornado um pouco assim: escrevo, sinto, me entrego em palavras e, depois, rasgo tudo dentro de mim. Como quem ama mesmo quando já não sabe mais como amar. Como quem ainda espera, mesmo sem saber exatamente o que está esperando. Talvez o amor seja isso também: essa coisa que a gente tenta entender, nomear e guardar, mas que, no fim, continua sendo um mistério.

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