terça-feira, 14 de julho de 2026

15 de julho

15 de julho nunca mais foi um dia comum. Há 8 anos, meu avô foi embora deste plano. Eram férias, e parece que amanhã, às 7 horas, ele vai partir de novo. Eu nunca mais fui a mesma sem ele. Ninguém entenderia o buraco sem tamanho que ficou no meu coração, na minha alma. Meu avô se despediu de mim com um olhar desesperado, de quem implorava por ajuda, e isso nunca vai sair da minha cabeça. A impotência, os meus conhecimentos científicos e a minha intuição foram abafados por um médico medíocre, que não tinha um avô entubado, acordado. Um médico querendo salvar o que claramente já havia sido perdido. Quando não havia mais tempo, resolveu amputar a perna que já não funcionava mais e intoxicou o corpo dele por completo. Em 24 horas, tive que ler o nome completo do meu avô em uma sala de velório. “Mas já são 8 anos, Taynã.” Não ousem me dizer isso. Ele é, porque eu não vou falar do meu amor por ele no passado. Ele é uma das pessoas que eu mais amo em toda a minha vida, e sei que eu sou uma das pessoas que ele mais ama, até depois da vida terrena. Vô, bença… Será que você me lê? Eu sinto tanto a sua falta, tanta… Ninguém entenderia, e eu nem tento explicar. Aí é bom? Promete que eu vou te ver quando chegar aí? Você vai gritar “Angelina!” de longe e dar o seu assobio inigualável, e eu vou correr tanto para te abraçar e dar um beijinho na sua careca, como fazia quando era criança. Será que você tem orgulho de mim? Eu pareço um trem fora do trilho, mas o meu amor por você nunca muda. Tenho medo de te esquecer. Tenho falado menos de você. Tenho medo de te segurar aqui, e eu quero você solto, voando feito um passarinho. Meu Bastiaozinho. Meu avô. Meu segundo pai. O pai do meu pai. Saudade dos seus olhos morenos e das suas piadas sagazes. Mesmo toda quebrada, te amo inteira, com todo o amor que há em mim. Da sua primeira neta (filha), Angelina.

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