sábado, 30 de maio de 2026
Usuário não encontrado
Usuário não encontrado, ícone de foto em branco! Assim têm acabado as relações modernas, sejam elas fraternas ou românticas. Bloqueado, excluído, como se nós fôssemos uma rede social. Não importa há quanto tempo se conhecem, quantas coisas viveram, o quanto foram importantes um na vida do outro. Um simples botão, um clique, e a pessoa desaparece.
Vamos ver, ao longo do tempo, o que isso vai causar à sociedade e até quando conseguiremos sustentar tal comportamento. Excluí meu Instagram há quase dois meses e isso tem me feito muito bem. Parece um teatro onde todo mundo é bonito, feliz e bem-sucedido, e a comparação vai adoecendo nossa mente. Queremos coisas que nem fazem sentido para nós, alcançar objetivos que sequer admiramos.
A vida real está muito, mas muito distante dessa beleza e perfeição toda. Não dá para colocar filtro, apertar um botão e cancelar o que não atingiu nossas expectativas, infelizmente.
Eu estou sendo engolida. Anteontem, cheguei em casa e deitei no chão do meu quarto, como tenho feito costumeiramente. De novo, uma espécie de hipotermia. Pensei que o tempo havia mudado repentinamente. Estava tremendo de frio. Tomei um banho muito quente e, quando saí, mal me segurava em pé. Uma fraqueza como se há dias não comesse, mas eu havia comido.
Fui à faculdade mesmo assim, e a cada passo eu sentia como se meu espírito saísse do meu corpo. Pensei que desmaiaria na rua. Terminei a prova rapidamente e voltei para casa. Realmente não estava bem.
Cheguei em casa, peguei o aparelho de pressão e estava 15 por 10. Ah, não, é porque você estava andando. Fico nervosa. Eu conheço meu corpo. Depois de um tempo, meu pai me chamou e a pressão estava alta novamente.
Tenho tido sintomas estranhos: dores no corpo, sensação de febre, de adoecimento. Uma amiga que tem fibromialgia disse que apresenta todos esses sintomas, mas eu acredito que seja, de fato, a exaustão mental que atingiu em cheio o meu corpo. E não dá para colocar filtro, bloquear ou excluir.
Trabalho por obrigação, mas minha vontade é nem me levantar da cama. Parece até que perdi a inteligência na faculdade. A medicação que poderia me ajudar tirou meu apetite, e isso não é negociável no momento, portanto foi suspensa.
Algumas pessoas próximas dizem que eu não sei o que é sofrimento. As doenças mentais são cruéis. Elas nos destroem. Ficamos em um sofrimento profundo, a ponto de não querer mais viver. E aí fica o questionamento: como podem nos ajudar se acham que você nem sabe o que é sofrimento enquanto está sucumbindo?
Se pudessem ver na pele e em todos os órgãos externos o que acontece por dentro, ficariam horrorizados. Mas quase ninguém faz muita questão de conhecer. Saber o que o outro tem e, de fato, compreender pode salvar ou transformar uma vida.
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