segunda-feira, 18 de maio de 2026
Feliz aniversário
Amanhã é aniversário da minha avó, que a espiritualidade me deu como mais uma mãe. Eu nem sei se mereceria tanto. Pensei em muitas coisas para dar a ela, mas minha avó não é chegada a coisas materiais. Ela vive no mais simples de tudo, desnuda da vaidade, gosta de molhar as florzinhas dela, que são as mais bonitas do universo inteiro, e ama cozinhar pra gente. A pamonha dela e o biscoitinho com canela batem qualquer restaurante 3 estrelas Michelin!
Minha vó é um exemplo de mulher, de força, de coragem, de resiliência. Perdeu o amor da vida dela, enfrentou um câncer e não reclamou um dia sequer. Minha vó me coloca no colo, ela abraça minha dor como se eu fizesse parte do corpo dela. Ela me mantém aqui, ela sabe que eu não gosto mais de estar… ela acredita infinitas vezes mais do que eu. Eu sou muito grata a Deus por essa oportunidade e por ela estar aqui.
Voltando ao presente, eu não sabia o que dar. Não queria dar uma flor que morre rápido demais, apesar de ser bonita. Então eu peguei minha caneta tinteiro, escrevi uma carta e selei com cera derretida. Darei a ela o íntimo de mim, meu amor escorrendo nas palavras, no meu coração, nos meus dedos, como aquelas crianças que escrevem cartinhas para a vovó.
Enquanto escrevo, araras… a essa hora? 21:44? O coração dá uma esfriada e eu penso: será que tá tudo bem? Uma pausa. Cortei o texto.
Às vezes me constranjo em expor meu amor por ela. Muitos não as têm mais, mas eu celebro a vida dela com um amor que não cabe no meu coração miúdo.
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