sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Sufocamento de palavras !

Às vezes eu preciso escrever para me esvaziar, para me salvar de mim mesma ou para calar a voz que conversa comigo e não me deixa por para fora o que sinto com quem quer que seja. Porque às vezes há em nós coisas que não passam pela boca, só escorrem pelos dedos, e é preciso entender e deixar escorrer entre as letras, ainda que não haja construção poética, palavras bonitas ou uma organização exemplar de um texto coeso e etc., etc., etc. Nem sempre há em nós coesão ou retidão, a vida não é assim. Ela está mais para uma montanha russa extremamente radical, daquelas em que muita gente desmaia e depois volta em alguns segundos. Acho que talvez as palavras não saiam da minha boca porque eu preciso ir embora em silêncio, porque eu amo o silêncio e amar, por muitas vezes, é ter que ir embora. Eu já fui embora algumas vezes amando muito e fui deixando de amar pelo caminho ou não. Talvez esse amor apenas durma dentro de mim, pois dizem que o que nos atravessa o peito se eterniza. Não sei ao certo. Mas o fato é que “matar” alguém ou algo que continua vivo é uma das coisas mais difíceis de se fazer, na minha humilde opinião de quem sabe pouco sobre muitas coisas, mas sente muito sobre a maioria delas. Eu aprendi sobre quem eu sou, aprendi que quando eu ainda estou falante, lutando, segurando a flecha ainda que a mão sangre, é porque eu ainda estou lutando pelo que quer que seja. Mas no silêncio eu já me coloquei na estrada sem retorno logo à frente, como o GPS ama dizer quando a gente dirige meio perdido. E eu vou para sempre, ainda que me doa profundamente e às vezes dói por anos ou para sempre, igual àqueles machucados mal curados que, quando arrancamos a casquinha, parecem ter acabado de acontecer. Ir, por vezes, é infinitamente mais difícil do que permanecer. Ainda que seja mais cômodo não se movimentar, a gente vai. Engraçado que, no fundo, toca Liniker na TV dizendo “eu não tô afim de desgrudar, mas quero fazer dos dias a paz”. E é isso. A gente passa a vida inteira em busca de paz e às vezes só precisa ir embora. Mas o mais perigoso é ir embora de si, talvez não se consiga voltar. Nada com muito sentido, apenas o sufocamento das palavras.

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