quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Eu pensei em te mandar flores, em aparecer de repente e dizer que eu estava ali. Eu quis te dar um colo, mexer no seu cabelo e dizer que você não precisava ser tão forte. Eu quis te cantar uma música qualquer, te contar que o mundo é grande pra te abraçar, e que o buraco é pequeno demais e escuro demais. Quis te contar que muita coisa em mim mudou e saber o que em você mudou. Te contar que eu não sei escolher nada pra minha casa, e que eu odeio a ideia de morar sozinha. Te contar que eu caí no buraco mais fundo, no umbigo do mundo, e não sei o caminho pra subir à superfície. Queria te contar que eu nunca consegui te odiar, e que não confio mais em ninguém. Que hoje eu vi uma borboleta tão grande e bonita que me perdi olhando pra ela. Queria saber como você se lembra de mim. Você lembra de mim quando vê ou ouve alguma coisa? Você já me amou? Ou já quis me amar? Será que você já me escreveu um texto, uma poesia ou uma frase num canto de um guardanapo? Será que você já digitou uma mensagem e não me enviou? Você já quis que eu te amasse? Eu descobri que tenho medo do abandono e mergulhei em uma cachoeira supergelada. Agora eu não tenho mais medo de morrer. Será que, numa quinta-feira qualquer, de um dia banal, você sente saudade de mim? Eu não sei se meu teto combina com meu piso. Eu quase não falo mais, e gosto ainda mais do silêncio. O mundo é barulhento demais pra mim. Eu quero ir embora e tenho que escolher os móveis. Eu choro no banho e me sinto só. Você ainda gosta de café e torradas? Eu não sou feliz e não tenho mais medo de morrer. Hoje está sendo um daqueles dias. — Angelina

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