quinta-feira, 12 de junho de 2025
9 minutos
9 minutos, 191 metros, 322 km/h e mais de 290 pessoas desencarnando. Um único sobrevivente ocupava uma daquelas poltronas. Mais de 290 histórias sendo mudadas em poucos minutos. Histórias daqueles que partiram e de tantos que ficaram com a ausência repentina, inesperada.
Passo em frente a um cemitério neste exato momento em que escrevo, a caminho de outro compromisso. Quantos amores de alguém estão ali? Quantas almas perdidas que não entendem, que não aceitam e ficam vagando no escuro, no vazio.
A morte é um dos silêncios mais barulhentos que existem — ou o barulho mais silencioso e doloroso na vida de um ser humano.
Se alguém leu, viu ou ouviu essa notícia — ou quando qualquer pessoa perde alguém que ama — e não sente nada, há algo de muito errado. Não tem como algo não se movimentar dentro de nós. Não tem como a dor do outro não fazer barulho em você.
Vejo balões em forma de coração por toda parte. Minha rede social foi tomada por declarações. A prova da obviedade de que o mundo não para, mesmo diante de tamanha tragédia. Mesmo eu achando que ele deveria parar, na utopia que ainda habita em mim. Assim como quando perdi meu avô, assim como tantas pessoas perderam aqueles que amavam. A gente sente que tudo deveria parar.
Mas não para. E nunca vai. O que assusta mesmo é ver a frieza da maioria, que não sente nada. Como quem folheia um encarte de shopping.
Parafraseando: “O mundo está ao contrário e QUASE NINGUÉM reparou.”
Angelina
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