domingo, 15 de junho de 2025

Documentário

Abro um streaming para assistir a algo leve, que tire minha mente desse lugar aprisionado, e aparece um documentário na página inicial: “Encontrar a paz”. Tenho tido dificuldade de me concentrar para assistir a qualquer coisa que seja, mas fui surpreendida. Pensei em tirar, mas algo me disse para assistir. Mantenho meu celular no modo não perturbe e fico totalmente entregue. Eu precisava assistir. Foram 70 minutos de tanta sabedoria, de tantas imagens lindas! Eu gostaria de morar lá, naquele meio da água, onde existe um relevo de terra. Deixar a vida te levar diariamente, sem tentar controlar nada — assim como não controlamos se vai chover, se fará sol, se fará frio, se haverá uma ventania que te jogará no chão e fará você cortar a cabeça, ou se, no último instante, surgirá um tempo que te permitirá entrar em uma caverna surreal de gelo. Expandir o estado de consciência, como o monge disse: “Se jogar uma colher de sal em um copo de água, fará uma enorme diferença. Se jogar uma colher de sal em um rio, que diferença fará?” Você pode escolher enfrentar uma doença aprisionada no medo, na tristeza, na ansiedade… ou viver o hoje — se for um dia bom — com toda a potência, sem pensar que amanhã cairá de novo. Soltar as rédeas da vida, mesmo que o final não seja o que você gostaria, mas sim o que deveria ser. E, ainda que seja o fim da existência, que tenha sido vivida com compaixão, com amor, com pessoas queridas, com a plenitude do agora — que é a única coisa que temos. Obviamente, deve ser muito difícil despertar, expandir a consciência, soltar o controle, a autocobrança, se perdoar. Em um momento, uma das participantes da experiência diz que não consegue ter compaixão por quem ela não gosta — e é difícil mesmo —, e ela pergunta ao monge como faz para conseguir. A resposta, de forma aqui simplificada, é que você só precisa estar no caminho certo. É certo que, se for a pé, chegará em um determinado tempo; se for de bicicleta, em outro; se for de avião, em outro ainda. Mas o que importa mesmo é que esteja no caminho certo. Cada ser humano tem o seu tempo para tudo e a sua forma de enxergar o mundo. Cada um carrega a sua bagagem. Só não podemos nos paralisar. Se estivermos na estrada errada, temos que recalcular a rota. Todos conseguiremos? Infelizmente, não. Mas todos podemos tentar. O final não era o que eu esperava e gostaria que fosse. Confesso que bateu uma tristeza. Mas saber que a vivência foi importante e fez total diferença dá conforto ao meu coração. O mundo não precisa de carros de luxo, mansões, guerras por dinheiro e poder. O mundo precisa de amor, de compaixão. Que você tenha o suficiente para viver com dignidade e que ninguém mais, sobre essa terra, passe fome ou durma em um pedaço de papelão como se não fosse um ser humano — como se não existisse, enquanto a maioria de nós nem os enxerga. Não importa o fim. Se hoje fizer sol, que você possa aproveitar. Angelina

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