sexta-feira, 2 de maio de 2025

Mãe

Acabou o culto no lar, minha mãe se levantou e disse:

— Vem cá, ontem me pediram para te entregar algo, mas você já estava dormindo e eu me esqueci.


Fiquei sem entender. Ela parou na minha frente, e eu me lembrei de como ela é pequenininha — e de como eu acho isso lindo. Então, ela me abraçou forte. Meu mundo ficou estacionado naquele abraço, e eu simplesmente não conseguia soltá-la. Ela percebeu e me apertou ainda mais contra o seu corpo cheio de amor. Eu me derramei.


Como pode isso? Ninguém que convive com a minha mãe tem acesso aqui… na verdade, pouquíssimas pessoas têm. Fiquei atônita, lembrando do texto em que eu falo justamente sobre isso.


Perguntei:

— Mas por quê, mãe?


E ela apenas respondeu que pediram. Em seguida, disse:

— Que paz eu senti.


Falou isso pegando em seus  ombros, dizendo que um peso saiu dela imediatamente, e que se sentiu leve.


Eu poderia morrer ali, no abraço dela. E ela nem imagina o quanto eu ansiava por isso, por todos esses meses.


Tentei achar explicação, como faço com tudo… mas entendi que nem tudo precisa de explicação. Eu só aproveitei. Senti o amor dela invadindo cada pedaço do meu corpo, como se eu estivesse me afogando e ela me salvasse.


Angelina


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