terça-feira, 13 de maio de 2025

A memória

 Certa feita, fora escrito: “O que a memória ama fica eterno.”

Eu, que sempre fui muito apaixonada pelas palavras desde muito cedo, já li e reli essa pequena e profunda frase tantas vezes que não saberia quantificar.


Mas ontem aconteceu algo que me fez pensar muito e, obviamente, fiquei tentando decifrar algo que talvez não tenha nenhum significado e seja apenas uma coincidência. Porém, lá no fundo — ou talvez na superfície mesmo —, eu nunca tenha acreditado em coincidências.


Hoje, durante o meu dia, fiquei tão pensativa sobre o ocorrido… E sim: o que a memória ama fica eterno. O que a alma toca, ou se deixa ser tocado, deixa as suas digitais, enraíza em nós. E não é que fica eterno o amor em si, mas o que a memória gravou com amor.


Obviamente, nem sempre é tranquilo e leve lembrar-se do que se amou. E ontem, com o acontecido improvável e indecifrável, como o enigma da esfinge, foi como se estourasse a barragem dentro do meu peito. Eu chorei.


E concluí que a frase não é só bonita e profunda — ela é real, doa a quem doer, ou abrace a quem abraçar. Sim, as palavras nos abraçam ou nos afastam. A comunicação sadia salva amores. 


O fato é que entendi: eu não estou limpando só as coisas materiais, jogando muitas fora, doando outras… Eu estou me limpando. Estou me desocupando. E não interessa o final disso tudo, se estarei aqui ou não — eu quero desocupar, ir ou ficar, mas estando livre. Livre como nunca fui na vida. Como um peixinho no fundo do mar ou um pássaro livre no céu.


Que a memória ou melhor a alma ame e guarde as coisas boas, e aprenda com as que não foram.


Estou com um pedacinho do dedo pra fora da caverna de Platão. Ainda não sei se vou conseguir ver a luz. Pois estou muito acorrentada.


Ah — eu iria escrever outro texto só pra dizer que esqueci de mencionar na carta que você ainda não sabe que eu escrevi (e, como disse, não sei se vai saber), mas faltou uma coisa que eu queria muito ter escrito.


Para não perder, eu já guardei. Então não posso mais escrever nada, já está assinado e eu não quero rasurar. É um trechinho de uma música que não sei se você conhece, ou se conhece a cantora. Mas espero que sim, porque ela é muito boa.


Mesmo que você não receba a carta, precisa conhecer — e se não conhecer, tomara que alguém te apresente. Acho que vai gostar.


Então vou deixar aqui, porque não quero que fique faltando nada mesmo .O que se escreve fica eterno? Talvez eu tenha desatinado de vez,pois se não souber da carta não vai ler aqui também,é desatinei!!!Acho que sim risos. E não vou escrever outro texto só pra isso. Presta atenção, tá bom?


A parte mais importante da música, que eu dedico a você, é:


“Quero te amar na rua, no meio dos carros

Com a porta aberta e todo mundo ver

Que eu te amo sem culpa, sem medo

Descalça na praia deserta ou em qualquer rolê

Quero te amar sob a lua, gritar que sou tua

Não devo, não temo, nada pra esconder

Que eu te amo sem culpa, sem medo

Descalça na praia deserta ou em qualquer rolê.”


Angelina


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