terça-feira, 15 de abril de 2025

Fim

Um psicólogo colocou fim à sua trajetória. Conhecido, querido por muitos profissionais e, com certeza, por clientes — pelo que vi a seu respeito —, e em alguns lugares li que ele sempre foi uma criança melancólica, mas enfrentou tudo até agora. Ele dizia estar no seu melhor momento da vida, mas talvez tenha chegado ao seu melhor momento — aquele que a maioria de nós busca, senão todos nós — e percebeu que nada havia mudado dentro dele. A angústia, a melancolia, ainda estavam lá. Não sei… só ele saberia dizer o que aconteceu. A única coisa que espero é que a maioria das pessoas estejam erradas, e que uma pessoa que foi tão instrumento aqui na Terra, que ajudou tantas pessoas e só não aguentou mais, tenha sido recebida de forma amorosa e compreensiva para onde quer que tenha ido. Sobretudo, o que eu desejo é que, enfim, a tristeza o tenha libertado. Eu não acredito nesse Deus punitivo. O Deus que eu conheço é misericordioso e amoroso. Ele nos acolhe até quando nós não merecemos, até quando fazemos escolhas ruins ou quando falhamos enquanto seres humanos. Eu não sou ele, nem o conhecia. Cada ser humano é único, e suas dores, consequentemente, também. Falarão de livre-arbítrio, mas será que pensarão sobre o sofrimento que ele carregou por anos e o quanto lutou? Sou uma pessoa melancólica. Há uma tristeza profunda. Não sou uma pessoa maravilhosa, mas tenho uma facilidade de perdoar as coisas que as pessoas fazem comigo — e uma dificuldade absurda de me perdoar. Quando erro, é absurdo o quanto me martirizo e me sacrifico, dentre tantas outras coisas. Viver tem sido insuportável demais. — Angelina

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