domingo, 6 de abril de 2025

A fim

Escrevo a fim de que minha caixa torácica não se arrebente e meu coração — este que dói — simplesmente pare. Se dói, é porque ainda exerce sua função e bombeia meu sangue, mesmo que contra a minha vontade. Sorte ser sua contração algo involuntário; suas fibras musculares o fizeram para a vida, e ele luta com toda a sua força para bater! Eu queria escrever uma carta aberta para Deus, mas não preciso. Ele me lê até nas entrelinhas do pensamento, sentimento, sensações que eu possa tentar esconder até de mim mesma. Não é preciso deixar nada escrito para Ele, e muito menos dividir com quem quer que seja o que é intimamente nosso. Tive dois sonhos diferentes, mas com a mesma mensagem. Parecia, nos dois, uma comunicação de uma pessoa, mas em ambos algo atravessava: um, uma ligação chiada que não me deixava ouvir direito, além de reconhecer de cara a voz e ouvir começo do que me dizia chorando; o outro, uma carta molhada bem no meio, com um buraco enorme que não me deixava terminar de ler além do que consegui ouvir na ligação. A ansiedade tem me deixado nervosa, me causando muitas crises de pânico. Meu peito dói, o oxigênio parece não entrar. A depressão tem me causado uma tristeza pulsante demais, choros que alagariam o centro da cidade que nunca é inaugurada dentro de mim, porque vive inundada e barulhenta demais! Eu estou tão cansada… Me lembro do filme A Cabana, e gostaria de estar na casa do Papai, sentada com Ela na varanda calma, comendo um pedaço de bolo; ou correndo com seu Filho sobre o rio, com a certeza de que não afundaria; ou então com o Espírito Santo, tirando o que precisasse para novas flores nascerem no jardim. Mas estou aqui, abraçada com uma angústia que só me faz querer não existir neste plano. Acho que o plano deu errado. Angelina

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