sexta-feira, 25 de abril de 2025

Escrevo longas cartas pra ninguém

 Uma sensação que sempre foi corriqueira na minha vida, mas que há tempos eu não sentia. Para além do coração apertado e da dor — coração dói? Dói! Dói atravessado no peito. Angústia. O barulho absurdo me desorienta um pouco. Arrepio! Um arrepio conhecido por mim, que parece vir do centro do meu ser até os membros superiores. É uma sensação ruim, como se uma premonição ou algo que não fosse bom estivesse acontecendo.


Mando mensagem para a família inteira: Estamos bem? Vem embora para casa!


Entro no Uber para ir embora no horário normal de saída e meu corpo inteiro se arrepia. Pareço sentir alguém ao meu lado, sinto até o calor. Me assusto por alguns segundos e a sensação de que algo ruim aconteceria — ou havia acontecido — me invade como a força de uma onda que te lança na areia.


Me esqueço completamente do culto no lar, feito às quintas-feiras em casa, esteja quem estiver lá. Semana passada mesmo, a casa estava cheia e a mesa ficou completa. Meus pais pareciam brilhar de felicidade ao ver suas três filhas sentadas com eles.


Mas, voltando… mal consegui fazer o culto, tomada por uma impaciência que não parecia ser minha. Ainda assim, fiz. E, em casa, respiro fundo e faço minha prece — que é conversando com Deus. Sempre foi assim o meu jeito de me conectar com Ele. Logo pego no sono.


No outro dia, a sensação continua. A cabeça dói e não há remédio que tire a dor. De repente, uma chuva, que logo se abre com o sol. A cabeça persiste doendo. Ouço as araras no meu descanso , e elas não paravam. Me levanto e vou atrás delas, guiada pelos sons. Encontro as duas dando “beijinhos” de araras. Sou apaixonada por elas, sempre fui — por isso tenho uma tatuada no corpo e quase uma  floresta, rs. Animais são um bom sinal, eu penso. E nada de mau há de acontecer!


Angelina


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