sábado, 22 de março de 2025
Pés quentinhos
A rede balança para lá e para cá. Olho toda a natureza em volta; só se escuta o balanço das árvores se encontrando com o vento e espécies incontáveis de pássaros cantando suas melodias, cada um à sua maneira. O céu, de um azul infinito. Estou completamente só e com uma quantidade de assuntos se embolando em minha cabeça. Meu coração está um pouco apertado, mas respiro fundo e sei que ela está bem e ficará melhor. Acabo de ligar e dizer que a amo, e ela me retribui com o amor imenso e infinito de nós duas!
Quando estou assim, gosto de escrever. As palavras vão me preenchendo, ao menos em algum cantinho. Me lembro de duas pessoas nesse momento. Uma amiga minha me disse que tem certeza de que “a minha pessoa” está chegando e que não demora. Eu sorrio e digo para ela que estou apenas tentando viver até o final do dia (risos). A outra é minha irmã, que me disse para pegar um papel e escrever tudo que desejo nessa pessoa. (Eu já havia feito isso há um tempo, mas só na minha mente.) Ela disse que tinha que ser escrito, porque fez isso e deu certo. Mas, novamente, respondo que estou apenas tentando chegar até o final do dia!
Se você me perguntasse se desisti do amor e de construir uma família, eu teria na ponta da língua que sim, porque a mente adoecida me faz acreditar que já deu para mim, que todas as coisas que existem na vida já não são mais para mim, e que nem todo mundo — ou quase ninguém — quer um peso segurando a sua porta. Mas, se eu fosse responder mais profundamente, talvez o amor seja uma das coisas que eu mais queira na vida: um amor, uma mão, uma companheira para a vida toda.
Eu sei, eu sei… Talvez seja utópico dizer “para a vida toda”, mas esses amores existem. Eu já presenciei sua existência muitas vezes, até que realmente a morte os separasse. Um amor para dividir as miudezas e as grandezas da vida, as conquistas e as lágrimas mais tristes e profundas. Para cantar nossas músicas favoritas no carro, enquanto cozinhamos, e para sermos silêncio quando necessário. Para que saibamos respeitar o espaço uma da outra, mas que nunca queiramos sair dos abraços. Não parece, mas eu amo abraço — daqueles bem apertados, em que uma sente o coração da outra batendo no peito.
Se você me perguntar, eu digo que desisti. Mas meu inconsciente — ou seja lá o que for — voltou a me trazer, em sonho, a menininha na minha barriga. Depois, eu a amamentava, enquanto a mãozinha dela estava grudada na minha camiseta. E eu senti saudade dela a semana inteira… Faziam anos que eu não sonhava com ela!
Essa semana, vi uma entrevista em que a entrevistada contava que o que mais sentia falta da mãe, que não estava mais neste plano, era que ela tinha os pés muito gelados, e a mãe, com o cobertor, os enrolava todos os dias para esquentá-los. Ela continuou com esse hábito, mas agora ela mesma o fazia. Porém, dizia que tinha muito medo de que seus pés não dormissem quentinhos e que, mesmo sabendo como esquentá-los, queria alguém para enrolá-los vez ou outra.
Nós somos seres que nascemos para ser sociais. É claro que o isolamento, com o passar do tempo, nos dá um certo conforto, porque é difícil se relacionar. Mas é justo que muito custe o que muito vale.
Tenho sido perguntada com frequência se sou casada. Quando digo que não, me perguntam por que estou sozinha. Eu digo que desisti. Mas, lá no fundo, queria que alguém me abraçasse e esquentasse meus pés… e que eu pudesse deixar os pés dela quentinhos para sempre!
Angelina
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário