domingo, 29 de dezembro de 2024

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A angústia me tomou. Levantei, abri o chuveiro porque percebi que a barragem havia cedido mais uma vez. Chorei, chorei. Agachei, me abracei em uma quase posição fetal e chorei ainda mais. Parecia que eu estava completamente sozinha no universo. Fiquei lá, abraçada a mim mesma, à minha própria dor, à minha própria exaustão. Implorei a Deus, sem conseguir me levantar ou conter as lágrimas que não paravam. Sei que minha relação com Ele não tem sido das melhores, e senti vergonha de pedir qualquer coisa. Mas, na minha exaustão solitária, só consegui implorar, entre soluços e com a dor apertando meu peito: "Deus, me cura ou me leva, por favor!" E, enquanto isso, fui pensando no quanto me sinto um peso na vida das pessoas. Sinto-me como um peso morto, boiando em alto-mar, no escuro, sem salva-vidas, sem um farol, apenas afundando. Estou indo para os 35 anos, e parece que não sou nada. É tão triste, tão doloroso sentir-se assim. Sentir essa paralisia, sentir-se tão incapaz, sentir que você é apenas um fardo. Estou sentindo tanta coisa, mas não quero escrever mais nada. Escreveria as linhas mais tristes essa noite.

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