sábado, 28 de dezembro de 2024
Perdi o sono, como se a medicação diária nem sequer tivesse sido tomada. Há um silêncio ensurdecedor lá fora e, dentro de mim, um barulho enlouquecedor — ou quase isso. Estou escrevendo para tentar amenizar a angústia.
Queria ser livre como a criança que subiu em uma bicicleta cargueira e saiu pedalando sem ajuda de ninguém. Eu não tive rodinhas, não tive medo. Apenas olhei e pensei que era capaz, e fui. Lembro como se fosse hoje aquele pingo de gente dando voltas, como se há muito tempo já andasse naquela bicicleta enorme.
Sinto falta dessa coragem, da ausência de medo que me paralisa de tantas formas. Sinto falta de saltar sem me importar se o paraquedas vai abrir. Queria voar em queda livre. Queria que você também tivesse coragem de pular, sem pensar em nada além das nuvens passando entre nós.
Queria que não precisássemos de astros, deuses, bússolas ou qualquer pessoa nos dizendo o que é melhor para nós. Que nos olhássemos e sentíssemos: é casa, é lar. Que não importasse o que passou, as listas, ou o que as pessoas pensam. Que não fosse um jogo. Porque só temos o hoje, este dia, o agora.
A perfeição não existe e nunca existirá. Isso é algo reservado para quem nos criou. Aprendi que o orgulho e as suposições apenas nos levam mais para o fundo, enquanto a vida se esvai. E, quando percebemos, já é outro tempo; tudo pode ter ido embora para sempre.
Como a criança que um dia pedalou sozinha pela vizinhança naquela bicicleta, sem nem imaginar o que a esperava 30 anos depois. Temos o nosso próprio tempo, e ele pode acabar a qualquer segundo.
E aí? Vai saltar?
Angelina Dias
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário