quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Incalculável

Me sinto um peso morto, uma âncora puxando minha família para baixo junto comigo. Estou exausta, muito exausta, e provavelmente eles também estão! Pensar no fim parece simples na minha cabeça, mas eu sei que não é. Não quero fazê-los sofrer ainda mais do que sofrem hoje, porque o para sempre não acaba nessas circunstâncias. Carrego meu corpo de um lado para o outro. Minha vontade é deitar no chão e ficar. Ficar até tudo acabar. Fazer de conta que estou conseguindo é muuuito cansativo. Talvez as pessoas não tenham noção do que isso significa. Ainda que eu diga, ainda que eu explique, elas não conseguem imaginar a dimensão do esforço que faço para estar aqui e continuar fazendo as coisas, seguindo uma rotina. É como se eu caminhasse com uma corda amarrada ao corpo, arrastando um peso incalculável. Escrevo para fazer minha mente parar por alguns minutos enquanto coloco tudo isso em palavras. Mas, depois… o barulho volta. E, com ele, a exaustão.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Kanarô

Kanarô-A palavra: Significa uma saudade intensa, profunda e emocionante — "uma saudade de chorar"💔😪

sábado, 17 de outubro de 2026

Eu passo

Vivo no passado e tenho pânico do futuro pois todos os cenários são horríveis pra mim e eles ficam discutindo em minha mente que é mais barulhenta que uma avenida lotada, com roncos de motores,buzinas , pessoas e etc etc.A incapacidade está enraizada em mim como a árvore que ficava na porta da casa da minha avó que estava invadindo por baixo das casas até que teve que ser derrubada, uma dó a árvore linda, gigante ficou caída no meio da rua porque suas raizes derrubaria as casas! Junta a vontade de não querer estar aqui com o medo aterrorizante do futuro e isso me dá um pouco de coragem, coragem do que não quero escrever aqui! Eu não tenho medo da morte,e disso eu deveria ter, não do que me espera do outro lado mas medo de perder a vida , as possibilidades o futuro que talvez poderia ser muito melhor do que eu poderia imaginar na minha mente barulhenta. O mundo nos cobra de uma maneira muito cruel, você é o que você tem, o que você performa,ninguém quer saber se seu coração é bonito, se você ajuda os animais, socorre as pessoas, ouve quem precisa ser acolhido, isso não importa nesse mundo que está ao contrário e quase todo mundo já reparou! Eu me saboto diariamente pareço não merecer nada que seja bom e deixo o que seja mal jogar uma pá de terra na minha cara no buraco que eu caí! Eu não quero que tenham pena de mim, mas espero que entendam se eu não suportar esse lugar que é difícil demais de estar, se eu abandonar o que esperam de mim e se eu me arrepender depois, estou envelhecendo e não vivo,eu sobrevivo fazendo a mesma coisa diariamente igual a um robô, se isso é viver , obrigada eu passo!

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Mãos vazias

Sua felicidade só depende de você! Essa pode ser uma frase libertadora ou uma péssima notícia. Depende da ótica pela qual você a enxerga, do ponto de vista de onde você olha! Eu achava que só poderia ser feliz se tivesse alguém ao meu lado, segurando a minha mão, mas me esqueci de que já tive alguém e não era mais feliz. Nossa mente, às vezes, nos prega peças, e elas parecem aquelas peças dos quebra-cabeças gigantes que eu adorava montar quando era criança, quando o mundo parecia o lugar mais bonito, confortável e feliz para estar. Bastava minha família, comida na mesa, os tantos amigos que eu tinha e a certeza de que eu era absolutamente, absurdamente feliz. Crescer me estragou a saúde, parafraseando Clarice. Minha criança não estaria orgulhosa de mim, mas muito triste ao ver o que nos tornamos até aqui. E eu paro e fico tentando compreender o que, de fato, me aconteceu, porque algo muito grave aconteceu para furtar a minha alegria, a minha esperança e, sobretudo, os meus sonhos, que nunca foram mirabolantes, mas existiam com muita potência. Eu não quero mais um relacionamento para ser feliz. A maioria dos casais que conheço está exausta e, na maior parte do tempo, infeliz. Partindo da premissa de que só você pode, de fato, fazer a si mesma feliz, tudo isso faz muito sentido. O mundo está diferente, a liquidez das relações não me apetece e, realmente, é melhor ficar sozinha! E isso pode parecer triste ou de uma lucidez absurda! A lucidez é muito importante, principalmente para quem sente demais. O coração, às vezes, é vacilante. Quero ser racional, ainda que isso me custe a vida. Sabe quando você se cansa de ser tão compreensiva, de estar sempre à disposição? Neste exato momento, por exemplo, tomei meus remédios, estou com insônia e não tenho com quem conversar. Não tenho ninguém para quem dizer: “Hey, fala comigo, tá difícil por aqui.” Li uma frase que dizia mais ou menos assim: “Falarão muito bem de você, mas, para isso, você precisa morrer.” E é verdade. Estarão presentes no seu velório, falarão bem de você e chorarão a sua falta. Você receberá coroas de flores, e ninguém se lembrará de que você estava infeliz. Então, não, eu não quero ninguém ao meu lado, segurando a minha mão até envelhecer, e blá-blá-blá. Estou atravessando o vale das sombras e da morte com as mãos vazias, e a única pessoa que pode me tirar do fundo do poço sou eu mesma, se força para isso eu tiver.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Livro : 10 min e 38 segundos

"Minha mãe, que eu costumava chamar de titia, muitas vezes se sentia assim, talvez pior. As pessoas sempre lhe diziam para lutar contra a depressão. Mas eu tenho a sensação de que, assim que a gente encara uma coisa como nosso inimigo, ela fica mais forte. Como um bumerangue. Você joga longe e ele volta e bate em você com a mesma força. Talvez seja melhor você ficar amiga da sua depressão. — Que coisa engraçada de dizer, meu bem. Como é que eu vou fazer isso? — Pense bem: uma amiga é alguém com quem você pode caminhar no escuro e aprender um monte de coisas. Mas vocês também sabem que são pessoas diferentes, você e sua amiga. Você não é a sua depressão. Você é muito mais do que o seu humor hoje ou amanhã." Trecho do livro-10 min e 38 segundos

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Reencontro

Um dia, ela estava sentada em uma praça de alimentação, esperando com muita ansiedade alguém subir. Suas mãos suavam, e o coração parecia que saltaria pela boca ou explodiria a caixa torácica. Quando ela subiu despretensiosamente as escadas, com aqueles olhos verdes e o rosto cheio de sardinhas, os olhares se cruzaram, e ambas sabiam, com toda a certeza que pudesse existir no mundo, que estavam se reencontrando naquele momento. Tudo ao redor parecia estar em stop. Elas não conseguiam parar de se olhar e sorriam feito duas bobas. A parte perdida de uma encontrava a parte perdida da outra, e ambas se encontravam inteiras! Queriam uma casa com um jardim bonito, cachorrinhos e um bebezinho que tivesse os olhinhos dela! Era bonito de se ver duas almas se reconhecendo de forma tão profunda e potente. Todo mundo poderia ver, porque era nítido o amor, a admiração que tinham uma pela outra. Uma prometia à outra que seria eterno. Na aliança que usavam, estava escrito: “Ad aeternum”. E assim foi, apesar de esse laço ter sido arrebentado em onze meses por uma porrada de coisas, mas, sobretudo, porque a moça das sardinhas queria ser aceita por todo mundo, e isso nunca aconteceria enquanto amasse outra mulher! Viveram dias sublimes, inesquecíveis, inquestionáveis! Elas sabiam que existia amor à primeira vista. Tolo de quem não acreditava! Elas se amavam de alma para alma, amaram-se mesmo antes de tocarem um dedo uma na outra! Eram duas jovenzinhas planejando uma vida juntas, mas a vida não está nem aí para os planos, e o livre-arbítrio está aí para nos lembrar que nem tudo acontece como desejamos. Um dia chuvoso, que inundou a cidade, parecia inundar também tudo ao redor com as lágrimas das duas meninas. Silêncio… Só um soluço podia ser ouvido, acompanhado pela chuva que caía como se nunca mais fosse acabar. A moça dos olhos verdes chorava deitada no colo de sua amada, sabendo que nunca mais se teriam. E assim foi. Nunca mais se tiveram, e a vida seguiu seu curso! Existem amores da vida e amores para a vida. Não é uma frase clichê. Elas poderiam te explicar. Ficaram marcadas para sempre na vida uma da outra. Nunca retornaram. Sabiam disso naquele dia fatídico. Quando se dobra a esquina, algo fica para trás. E esse foi, por ironia, o fim do reencontro!

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Passarinho na gaiola

Perdi o sono. Isso acontece com muita frequência aos domingos ou aos feriados em que tenho que voltar a trabalhar. Talvez eu esteja com burnout ou, com toda certeza, sim! Mas não é sobre isso que preciso vomitar através das palavras. Não tenho com quem conversar e, nessas horas, esse bloco de notas é o que me salva (mesmo que muitas vezes eu escreva e apague). Há coisas que não podem nem ser lidas duas vezes. Elas só precisam ser expulsas, como quem sente até o limite e, depois, silêncio! Acho que nunca mais vou ser como eu era. Digo, na essência, na alegria que tomava conta de todo espaço em que eu pisava. Fui morrendo aos poucos, como aquelas plantas que a gente acha que não precisa regar com muita frequência, mas que, uma hora, murcham e depois morrem. Toda vida precisa ser alimentada de alguma forma! Fui murchando de pouquinho em pouquinho ao longo dos anos, até que despetalei. Fui perdendo a mim mesma! A vida não para para a gente se encolher em posição fetal e chorar por sei lá quantos dias! Parece que vivo uma música que diz: “Todo dia ela faz tudo sempre igual”. Os meus dias, minhas semanas e meus meses foram iguais, e a maior parte do tempo foi trabalhando ou fugindo na minha cama, dormindo o sono infinito. Dei para dormir para ficar sonhando. Meus sonhos são muito vívidos, e eu não quero acordar. É engraçado porque, quando acordo, tenho a sensação de que meu espírito demora um pouquinho para voltar para o corpo. Aí fico meio zonza e com uma vontade imensa de voltar para onde eu estava, mas a roda-gigante não para! Existem coisas que sinto que ninguém sabe. Nem tudo tem alguém para te ouvir do outro lado sem te meter o dedo na cara e dizer o quanto você é tonta, para não dizer uma palavra bem baixa que eu mereceria ouvir! Escrevi uma carta imensa ontem, com destinatário, mas apaguei. A sanidade ainda existe em mim, mesmo que meio vacilante! Aprendi a guardar para mim o que é íntimo demais. Pode ser que eu me arrependa por não deixar o outro saber, porque o amanhã não existe para ninguém, e o arrependimento pode arrebentar sua porta sem piedade! Meu pai, outro dia, fiquei sabendo, falava de como eu era cheia de vida, brincalhona, e de como queria que eu voltasse a ser assim. Eu também queria, pai, mas acho que a gente não volta mais depois que cai da ponte, ou volta muito quebrado. E há coisas que não se colam novamente, o que é uma grande pena! Outro dia, me disseram que eu só sorrio por fora. Meus olhos pequenos sempre me entregam. Sou questionada quase que diariamente sobre por que não sorrio, ou ouço dizerem: “Seu sorriso é lindo, deveria sorrir mais vezes”. Mas eu não consigo. Algo em mim morreu, e eu não sei te dizer nem o que foi, nem quando isso aconteceu. Talvez não tenha sido em um dia específico. Foi aos poucos, como se meu coração, minha mente e meu espírito estivessem em um estado paliativo, que pode durar uma semana, um mês ou muitos anos. E eu não sei dizer se isso é bom ou ruim. Perder o apreço pela vida é algo que ninguém deveria experimentar! Eu me lembro de que, pouco antes de meu avô falecer, ele foi mudando. Ficava mais quieto, e ele era tão engraçado! Passou a não se sentar à mesa nos almoços sagrados de domingo. Parecia que sentia que algo mudaria e tentou fazer com que a gente se acostumasse com seu silêncio e sua ausência à mesa, mas isso nunca aconteceu, ao menos não para mim! Recordo-me disso porque, no fundo, tenho feito o mesmo: tentado fazer com que minha ausência seja aceita como algo habitual. Mas isso é ilusão, assim como a cadeira vazia do meu avô! A vida vai continuar, mas nunca mais será a mesma! Ter que se policiar para viver é exaustivo. A gente geralmente se protege para viver, e não o contrário. Nosso instinto foi feito para a sobrevivência. Pareço aqueles passarinhos presos na gaiola, que cantam não porque estão felizes, mas porque estão tristes. Eles sabem que o céu existe, que foram feitos para voar, mas estão presos e não podem fazer o que nasceram para fazer: bater suas asas com a liberdade que corre em seus corpinhos quase sempre miúdos e lindos. Foram feitos para voar e nunca o farão!