domingo, 30 de janeiro de 2011

''Discretamente, enviei sinais de socorro aos amigos. Ninguém ajudou. Me virei sozinho. Isso me endureceu um pouco mais. Não foi só você, não. Foram também pessoas até mais íntimas, (…) me virei sozinho com enormes dificuldades. Não me lamuriei. Mas preciso que as pessoas saibam que isso doeu — exatamente porque algumas destas pessoas (…) importam para mim.'''


Caio F. Abreu


(pois é né...)


Agora são os outros que esperam essas minhas ligações que não ocorrerão, e respostas de perguntas que detesto e deixo no ar, tudo porque já fui por demais pisoteada, e se num dia somos caçador, a glória de ser caça e fugir pra longe, correr veloz, chega também. Nenhum apego, isenção de afetos. Sem mais pensamentos depressivos em músicas suaves, ou vontades incontroláveis de ligar para o que um dia fez total sentido. E o melhor: ver que esse lado da moeda (ou proposta temporária de vida) pode ser algo altamente interessante. E benéfico. Que funciona muito melhor ao ego do que fazer as unhas na sexta-feira ou comprar um par de sapatos. Ou cortar o cabelo, ou escutar cinco cantadas por quarteirão percorrido.



Camila Paier





quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

"(...)haviam-se reconhecido desde o primeiro momento. Ou talvez estivessem realmente destinados um ao outro(...)" C.f. A


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

...

''Ele disse que me amava. Eu me senti preenchida de algo que não era possível ser descrito, então eu comecei a me sentir assim, lisonjeada. Por alguém assim, nenhum pouco disposto de chegar perto de gente, criar um coração pra gostar de uma pessoa só. Estava com seu coração na mão agora, correndo pelas ruas. A vontade era me esnobar e dizer que alguém desse tipo, toda melindrosa... Escolheu alguém tão ninguém pra amar. Mas ninguém entenderia, então eu guardei pra mim. Com todas as qualidades que só eu enxergava nele, de tudo que eu gostava nele. Eu gostava dele por inteiro. Por mais que as características desse "inteiro" fossem impossíveis de ser apreciar. Mas, eu admirava. ''

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

..

''(...) Preciso escrever depressa antes que eu me esqueça do que eu queria dizer


era isso eu preciso muito, muito de você eu quero muito, muito você aqui

de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa

trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada

só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta

ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu

silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro

lado do muro ou do outro lado. (....)''



caio fernando

domingo, 2 de janeiro de 2011

''Você vai me abandonar e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva. Você rasga devagar o seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto. ''

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

..

...E me dá uma saudade irracional de você. Uma vontade de chegar perto, de



só chegar perto, te olhar sem dizer nada, talvez recitar livros, quem


sabe só olhar estrelas… dizer que te considero – pode ser por mais um


mês, por mais um ano, ou quem sabe por uma vida – e que hoje, só por


hoje ou a partir de hoje (de ontem, de sempre e de nunca), é sincero..






Caio Fernando de Abreu

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

''Olhando a foto, foi quando eu descobri que tua ausência inda doía e o tempo que passou não me serviu como remédio. E a minha paciência foi inútil e todo desapego incompetente. Eu me desvencilhei de livros, cartas e bilhetes e me desmemoriei por algum tempo - quis tanto ter você, depois silêncio - mas nessa tarde estranha em que ensaio versos, só vem tua falta à tona... E eu desamarro um pranto que eu sei tão antigo - desculpa essas palavras com cara de choro - ainda há reticências.''




Marla de Queiroz