sábado, 25 de julho de 2026
Ampulheta
Sinto que saí do mapa. Como é louca essa questão das redes sociais. Há muitos meses sem Instagram, parece que eu desapareci. Não converso com ninguém, ninguém sabe de mim, e eu não sei de ninguém. Bem, eu não sei se isso é bom ou ruim. A enxurrada de informações vazias e pretensiosas claramente não me faz bem, mas parece que é o lugar onde se consegue algum tipo de contato com o mundo. E eu acho que nunca me senti tão, tão, tão sozinha e perdida.
Meus amigos se cansaram de tentar algum contato comigo, pois nunca consigo sair com eles, nunca estou bem. Na real, eu acho que não os tenho mais. Talvez o ditado “quem não é visto é esquecido” seja verdadeiro, e eu sinto saudade de estar rodeada dos meus amigos, sorrindo de coisas bobas, tecendo carinho e cuidado, contando com eles e eles comigo a qualquer hora do dia.
Meus amigos me fizeram muito feliz. Lembrei-me especialmente de uma cena em que minhas amigas chegaram com o som altíssimo, ouvindo uma música de que eu gosto, tarde da noite, só para comer meu brigadeiro. Ter me perdido de mim mesma me roubou coisas demais, e algumas delas estão irrevogavelmente perdidas.
Tento não escrever coisas tristes ou voltar sempre ao mesmo assunto, mas não dá. Eu não consigo mais ficar disfarçando ou fazendo de conta para mais ninguém. Passei praticamente um mês inteiro de férias na cama, deitada no escuro, dormindo e acordando, e eu estou exausta de viver o mesmo dia todos os dias. Bate um desespero, e muitas vezes tenho crises de choro intensas. Eu só queria um pouquinho que fosse de mim de volta.
São 2h28 da manhã e, daqui a pouco, vou me levantar para ir a um centro espírita um pouco longe daqui. Eu preciso de cura. Eu sei que as coisas não acontecem quando a gente quer, que tudo tem seu momento, mas eu, desesperadamente, preciso que esse momento seja breve. Não tem condições de um ser humano sobreviver dessa maneira. Eu sei que sou cheia de defeitos, mas também tenho muitas qualidades. Acho que não mereço que minha história termine dessa maneira.
A maioria das pessoas não entende 1% do que se passa dentro de mim, e todo mundo tem uma fórmula mágica. Eu até entendo. Querem me ver melhor, mas uma pessoa no estado em que eu estou não tem energia para ir à academia, ir a um barzinho ou a uma boate com amigos. Eu mal consigo ficar em um lugar com muitas pessoas conversando. Parece que só estou em paz quando estou dormindo, sonhando com alguma coisa boa. Aí quero fugir dormindo.
Confesso que estou desanimada para ir hoje a mais um lugar, mas, no fundo, ainda existe uma esperança de que, de alguma maneira, eu seja curada e volte a querer viver.
Estou com saudade de tanta coisa que acho que o passado está engolindo meus dias. Saudade de mim, de pessoas, de momentos, de sensações. Pareço aqueles bichinhos enclausurados que têm medo do toque humano e, ao mesmo tempo, é isso o que mais anseiam.
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