domingo, 19 de julho de 2026
02:20
Medicações tomadas a muitas horas e às 01h54 da manhã de uma segunda-feira de julho, e não fizeram efeito.
A dualidade é forte como um cabo de aço puxado por dois caminhões enormes, um em cada ponta. Uma parte muito considerável de mim gostaria de dormir e partir, com a esperança singela de que algum lugar melhor me esperasse, mas, principalmente, que tirasse a tristeza e a angústia que me perseguem.
Eu sempre penso: amanhã vai ser ao menos melhor. Mas nunca é. E eu fico repetindo, repetindo e repetindo todos os dias, como se alguém nunca desse o play e ficasse voltando, voltando e voltando, em um loop infinito, como naqueles filmes de terror em que a atriz principal acorda e vive o mesmo dia. É um triz para a loucura, uma linha muito tênue.
Sinto-me fracassada em todas as esferas da minha vida.
Hoje, em um grupo da família, falávamos sobre o quanto os homens atrapalham a vida das mulheres. Algo muito forte e inesperado aconteceu na família, e daí partiu o diálogo. Todas diziam o quanto é bom ser livre, e eu disse que odiava ser sozinha, que entendi que depositava toda a minha energia, autoestima, autoconfiança e esperança em uma parceira, e que eu parecia uma trouxa, me escondendo e chorando por aí.
Então me disseram: “Se você focasse e depositasse o mínimo dessa sua energia em você mesma, que é uma mulher tão inteligente e capaz… Você tem que ser megalomaníaca um pouco. Um homem bem medíocre seria um CEO enquanto você estaciona a sua vida como se estivesse literalmente aprisionada pelos pés. Você tem que acreditar que pode construir até um foguete, se quiser.”
Um tapa de realidade que nem sempre é fácil de ouvir, porque toca em muitos lugares, mas é muito real.
Uma psiquiatra disse que o cérebro, em níveis físico e emocional, reage de forma muito semelhante tanto a eventos reais quanto a pensamentos imaginados com forte intensidade e emoção. Então, por que não imaginar e tomar para si coisas grandes? Coisas felizes? Por que não?
Eu sei que meu cérebro funciona de uma forma diferente, e isso me adoece, mas isso não pode mais me limitar. Não é possível que eu vá desistir da vida aos 36 anos, porque é isso que eu faço todos os dias. E aonde isso vai dar? Algo me diz que a um lugar muito ruim.
02h18.
Escrever alivia absurdamente a minha mente barulhenta e inquieta. Escrevo por necessidade, e não para ser bonito.
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