segunda-feira, 4 de maio de 2026
Como pode
O desânimo me pegou até na escrita, o lugar onde deságuo, desmorono, sou fraca e não consigo mais, o lugar onde sou a inteireza da dor, onde não há fuga, onde posso não ser funcional porque isso está me custando talvez a vida. O cansaço não é o natural, é um cansaço profundo, no mais fundo de mim, um lugar a que ninguém chega.
Os dias estão sendo difíceis, tenho dificuldade de levantar, sonolência excessiva, muitos sonhos, a cabeça dói diariamente e minha memória está parecendo a da Dory do desenho Procurando Nemo, e eu não tenho vontade de continuar a nadar. Está acontecendo muita coisa ao meu redor e praticamente ninguém sabe que sou o apoio de muitas pessoas, mas acontece que estou lutando para estar aqui amanhã e não espero que ninguém entenda isso. É um esforço tão sobrenatural que me faltam forças para ser o que eu quero e preciso ser para as pessoas, mas é que não estou conseguindo ser o mínimo para mim mesma. Não é falta de vontade, é falta de força mesmo.
Criei um bloqueio afetivo tão forte que me sinto como se estivesse me despedindo das pessoas, e meu coração se esvaziando como quem abre o pino da boia no meio do mar. Carregar um elefante nas costas para todo lado é muito difícil. Esquece isso, esquece aquilo, você consegue, isso vai passar, e lá se vão cerca de 21 anos esperando o dia em que o elefante crie asas e vá embora, mas obviamente elefantes não possuem asas.
Parece que meu peito vai explodir e meu corpo vai parar, porque ele está absolutamente exausto e minha mente não para nem quando estou dormindo. Parece que a poesia me foi roubada e, para todo lado que olho, vejo pedra. Eu me lembrei que, quando estava com você, ainda tinha medo da morte. Lembrei disso hoje como um sobressalto, e o significado disso é mais profundo do que eu poderia expressar, porque não ter medo da morte é algo que nunca imaginei sentir. Eu morria de medo de morrer, e hoje subo a rua escura em passos lentos.
Sabe quando uma criança está aprendendo a andar? Ela acha que está em pé, rumo ao caminho certo, e de repente cai. As pessoas sabem de mim o que digo, e eu digo pouco. Deve ser chato ouvir as mesmas coisas, então guardo para mim. Nem escrevo, porque é muito meu. Ir me desprendendo da vida e das pessoas é uma tarefa difícil para mim, apesar de sentir que faço isso, mas é a exaustão de existir. Tenho vontade de deitar, dormir e abrir os olhos em um mundo de regeneração, sei lá, deve existir um lugar melhor. Presa na gaiola com a porta aberta, como pode isso?
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