terça-feira, 3 de março de 2026

Vendas

Hoje não sei por que razão entrei no Instagram da minha mãe. Ela não posta nada há muito tempo. Fui passando as fotos e, infelizmente, quase todas têm uma pessoa ao meu lado. Ela sempre sorrindo, feliz… e como ninguém notou de fora? E muito menos eu, de dentro de tudo isso. Triste. Tão, mas tão magra, que quando vi as fotos eu chorei. Me senti tão profundamente atravessada ao perceber como me transformei no decorrer dessa relação. Tem uma foto em especial em que estou literalmente cadavérica. Ela estava contente, viva, e eu estava triste e morta. A gente fica se perguntando como a pessoa não enxerga que está em uma relação ruim. Como? Não vê. O amor nos cega, tapa os ouvidos e até a boca. Eu não sei como estou aqui viva hoje. De verdade, eu não sei. Estive à beira da morte, quase como se por um mililitro ela não me alcançasse. O choque da realidade não é simples, não é linear, e sangra coisas que você achava que já haviam cicatrizado há muito tempo. Pensei em pedir para minha mãe apagar. Comentei com ela. Ela perguntou como apagava sem que eu pedisse. Mas parei um segundo, pensei e logo em seguida verbalizei: mãe, o que muda? Enquanto isso, eu chorava no chão, debruçada na Pandora, pedindo, orando para que ao menos ela parasse de sentir dor. Não tenho bons sentimentos a respeito. Na verdade, não tenho bons sentimentos a respeito de nada. O abismo está escorregadio e talvez eu caia.

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