quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Passarinho pousado
Eu sinto sua falta como se te conhecesse, ou talvez eu te conheça. Quem vai saber sobre isso? Que você venha em um sábado bonito e ensolarado, onde os raios estejam atravessando o mar. Ou que você esbarre em mim em um dia banal, na fila de um cinema, e suas pipocas caiam no chão porque você é desastrada, e eu vou abaixar naturalmente para te ajudar a catar tudo. E, quando nossos olhos cruzarem, nós saberemos que nos encontramos ou que nos reencontramos.
Eu te quero passarinho pousado no meu dedo livre, e que eu seja livre com você. E, mesmo com asas para voar aonde quer que seja, nós vamos escolher ficar. Que todos os nós virem laços bonitos enfeitando nosso jardim. Que a gente se reconheça e nenhuma de nós queira fugir porque os outros amores não deram certo ou porque deixaram cicatrizes profundas. Eu te dou um beijinho nelas, igual mãe beija ralado, e sempre dói menos.
E, se eu ouvir seu coração batendo nos meus ouvidos, encostada no seu peito, eu vou me sentir em paz, como uma mãe que, por um descuido, perde o filho em um shopping e, quando o reencontra, a paz atravessa o corpo inteiro. Que seja tão bonito que constranja quem torce contra, porque sempre terão. Que não precisemos pisar em ovos e que seja leve. E, quando as coisas saírem do prumo, tenhamos a sabedoria de sentar, conversar e resolver, porque você será a minha pessoa e eu a sua.
Nossa alma sempre sabe quando é a gente, é que tem medo demais. Então promete pra mim que não vai ter? Eu também prometo quebrar o Muro de Berlim para que você me alcance inteira, porque me darei inteira e te quero inteira. Com suas mãos pequenas entrelaçadas em minhas mãos grandes, atravessando qualquer lugar, sem medo de sermos. Porque eu te quero apesar de. Eu te quero ainda que o mundo inteiro possa não nos querer.
Com amor,
Angelina
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