terça-feira, 20 de janeiro de 2026

20 de janeiro

Bença, vô. Hoje é seu aniversário e, de onde quer que esteja, espero que façam uma festona para o senhor. Vô, eu sinto saudades assim de repente, no meio de um dia qualquer, em um sonho que eu gostaria que fosse real ao acordar. Eu sempre tive tanto medo de você partir e sofri antes, durante e depois, porque meu amor por você sempre foi amor de alma para alma. Minha vó estava quieta ontem, entristecida, e eu não estava entendendo, mas era a sua falta no banco em frente à TV, que continua ali como se te esperasse voltar. Hoje era dia de reunir a família inteira. Vinha todo mundo, a casa lotava, era mais de trinta pessoas. Primeiro a reza, porque o senhor é devoto de São Sebastião. Falo isso porque você não vive no meu passado, vive imensamente no meu presente. Depois vinham as pamonhas, os pãezinhos caseiros que recheávamos de pernil. Vô, eu lembro do seu olho, riozinho feliz, quando era 20 de janeiro, meu capricorniano preferido do universo. Nós éramos tão parecidos, vô. Os olhos morenos mais lindos que eu já vi. Seu amor me atingia como se seu sangue se encontrasse com o meu. Desde bebê, o nosso laço era inquestionável. Eu era sua Angelina, a sua neguinha, e você é uma das pessoas que eu mais amei, amo, amo e sempre amarei. Me promete que eu vou te encontrar de novo? Eu sinto saudade da sua voz. Tenho um vídeo seu, mas se eu ouvir, eu choro uma semana inteira, porque a saudade só se mata no abraço, de coração com coração. Oh, vô, eu queria tanto que isso fosse só um pesadelo longo, daqueles que a gente não consegue acordar. Mas não é, e essa é uma das realidades mais doídas em mim. Sebastião Rodrigues Dias, você sempre gostou de se apresentar com o nome completo. Outro dia sonhei que podia te salvar, mas acordei e o senhor não estava aqui. Eu queria tanto. Eu tentei. Eu te amo, meu amor, dos meus fios de cabelo às pontas dos meus dedos. Com muita saudade e amor. Feliz aniversário. Sua Angelina

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