sábado, 15 de novembro de 2025
Fui a um aniversário, mas as pessoas foram chegando, chegando, todo mundo conversando ao mesmo tempo, e eu tive a mesma sensação de quando o metrô parou no meio do túnel em SP e eu pensei que fosse morrer sufocada, como se estivesse em uma lata de sardinha. Eu me levantei e fui embora, nem consegui me despedir. Acho que fingir que está tudo bem foi por água abaixo depois dessa. Pqp.
“Me passa seu Pix, quero te dar um presente pra sua casa.”
“Não, não, imagina, não precisa.”
E não passei, porque só o ato de ter pensado em mim já valeu. Mas entendi, com mais força, que eu não consigo aceitar receber as coisas. Doar, doar e doar, e não saber receber. Mesmo indo embora, permaneço angustiada, e eu gostaria de estar sentada dentro do mar, na praia de conchinhas, ou no meio do silêncio da cachoeira. Nessas horas, me faz muita falta alguém que me acalme, que me faça pensar em outra coisa qualquer e me diga que meu coração não vai parar ou saltar da minha caixa torácica arrebentando tudo. E o foda de tudo isso é que não é qualquer pessoa. Muita gente tenta entrar na minha vida, mas o muro está mais alto que o de Berlim, e mesmo que escalem, não me encontram do outro lado.
Eu preciso tentar seguir em frente, senão não vou suportar a vida. Preciso atravessar a ponte, mesmo que corra o risco de me desequilibrar e cair no meio do caminho. Talvez eu já tenha caído e esteja, possivelmente, tentando subir de volta para a ponte. Meus pés estão formigando e eu queria estar com a cabeça no seu colo, em total silêncio, focando nos seus batimentos cardíacos até parar de sentir o meu quase saindo pela minha boca. Mas não. Eu estou só, e tudo bem. Já está dando a hora de tomar minhas medicações. Saturno me espera, e que eu atravesse a ponte você estando ou não para me pegar do outro lado.
Angelina.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário