terça-feira, 11 de novembro de 2025
Amor meu grande amor
“…pois tudo que ofereço é meu calor, meu endereço, a vida do teu filho desde o fim até o começo.”
Acordei com essa música na cabeça depois de, novamente, uma arara me acordar, e elas fizeram a festa por muito tempo. Eu sou seduzida pela palavra, não por palavras bonitas e requintadas. Ok, ok, também as acho atraentes, mas eu sou realmente entusiasta das palavras que exalam sentimentos, que escorrem pelos dedos ou pela boca.
Já me pediram por diversas vezes: escreva um texto pra mim? Obviamente não. Não sou máquina de escrever, sou coração de sentir, e às vezes esses sentimentos escapam pelos meus dedos longos.
Eu não quero ser a opção de ninguém em nenhuma esfera da minha vida. Eu quero ser escolha. E se ninguém me escolher, tudo bem. Talvez eu me escolha. Na verdade, não querer ser opção já é eu me escolhendo, e não é tão fácil quanto escrevem por aí. “Ah, porque eu me escolho.” “Ah, porque eu devo me amar em primeiro lugar.” Talvez, para os egoístas, isso seja a coisa mais fácil de se fazer, mas não é pra todo mundo. E, como diria meu pai, você não é todo mundo.
O menino parece estar apaixonado. Primeiro amor juvenil. Quer comprar um gloss não sei das quantas, famosinho entre eles. Digo a ele: escreva uma carta.
Ele diz: carta?
Digo: sim, ela vai gostar mais. Pode dar o presente, mas escreva uma carta.
Ele diz que vai usar a IA. Wtf? E desde quando IA tem sentimento, porra? Escreve o que você sente. Não precisa escrever bonito, precisa sentir bonito.
Eu sempre achei bonitas as cartas, daquelas que tinham envelopes, carimbos e demoravam a chegar. Porque o amor é assim: ele demora a chegar. E hoje, com as facilidades, vivemos a era do amor estilo “fast food”. Ninguém quer esperar por muito tempo, tipo aquela música da Adriana Calcanhotto: “Entre por essa porta agora e diga que me adora, você tem meia hora pra mudar a minha vida.”
Deixando claro que acho a música linda, mas meia hora? Prefiro o Emicida dizendo: “Do fundo do meu coração, do mais profundo canto em meu interior, ô, pro mundo em decomposição, escrevo como quem manda cartas de amor.”
Acho que falo de amor demais. Talvez seja o que transborda em mim, ou o que falta em mim. Quem vai saber? Na verdade, quem quer saber?
Angelina
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