quinta-feira, 2 de outubro de 2025
Possibilidade
Com sol e chuva
você sonhava que tudo ia ser melhor depois.
Você queria ser o grande herói das estradas,
tudo o que você queria ser.
Sei um segredo:
você tem medo e só pensa agora em voltar.
Não fala mais na bota e no anel de Zapata…
Tudo o que você devia ser, sem medo.
Não se lembra mais de mim,
não quis deixar que eu falasse de tudo.
Tudo o que você podia ser, na estrada.
Ah! Sol e chuva na sua estrada,
mas não importa, não faz mal.
Você ainda pensa, e isso já é melhor do que nada.
Tudo o que você consegue ser — ou nada.
Não importa, não faz mal,
você ainda pensa, e é melhor do que nada.
Tudo o que você consegue ser ou nada.
Uma canção pequena, mas carregada de sentimento, para quem tem coração para senti-la. Interpretada lindamente por Milton Nascimento, que nasceu com uma voz única, sensível e potente. Esta música, em especial, é sem dúvidas uma das mais bonitas que já ouvi em sua voz.
Já imaginou tudo o que você podia ser, sem medo? Se enxergar, se reconstruir, se perceber com todos os sentidos que existem em você!
Li a notícia de que ele está com demência e logo me veio à mente uma pesquisa ainda em fase experimental, mas que, sinceramente, merece um Prêmio Nobel. Trata-se da polilaminina, uma proteína advinda da placenta. Veja como isso é potente: vem através de uma mulher, de um lugar de manter a vida. O estudo é liderado por brasileiros, que quase sempre entram nas estatísticas da “fuga de cérebros” por não receberem incentivos aqui.
O resultado é impressionante: uma pessoa com lesão total em uma vértebra recuperou a capacidade motora após receber a proteína injetada na medula espinhal. Buum! A possibilidade de regeneração de neurônios e de recuperação das funções ainda está em estudo, mas já abre uma luz.
Meu avô materno morreu com demência e minha avó materna está com Alzheimer já avançado. Isso acende em mim um alerta e também uma esperança de que a cura pode estar a caminho. Que muitas famílias não precisem mais assistir, impotentes, às pessoas que amam indo embora de si mesmas, presas em corpos quase sempre saudáveis. Que os pacientes não se percam de si, mantendo a capacidade de viver com suas faculdades mentais preservadas, ainda que naturalmente degradadas pelos anos.
Eu presenciei de perto o sofrimento deles, e também acompanhei outros casos de longe. A possibilidade de cura merece ser celebrada. Conheci ainda um caso muito particular, mas, por se tratar de uma pessoa extremamente reservada, não irei detalhar aqui.
O que desejo é que essa descoberta honre as memórias e abra novas possibilidades. Que muitas outras pessoas não precisem passar por essa tempestade. Que seja, de fato, uma luz no fim do túnel.
Angelina
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