segunda-feira, 20 de outubro de 2025
Choro
Como um velocista que corre em câmera lenta e ninguém poderia entender como isso é possível.
Por favor, faça silêncio. Por favor!
Choro.
E só queria o silêncio absoluto, como o monge sentado na ponta de uma montanha congelada na Islândia, assistindo à aurora boreal acontecer diante dos seus olhos no mais absoluto silêncio.
Não há conversas em sua mente, não há tristeza, não há incerteza e, muito menos, solidão.
É um silêncio bonito, como quem mergulha dentro de si, no mais fundo, aonde ninguém alcançaria a não ser você.
É difícil olhar a luz quando se está preso na caverna escura os olhos doem, e também meu coração. Nem Platão explicaria.
Atravesso a ponte e paro sempre no meio dela. Olho para baixo, e o vento me empurra com toda força para o abismo, sem paraquedas.
Choro.
Choro que parece não ter motivos ou motivos demais.
Nunca me perdoei por nada, e não há remédio que segure a minha dor por muito tempo.
Respira.
Todo mundo acha que você está melhor.
Choro.
Ainda tenho muita vontade de desaparecer, como se nunca tivesse existido.
Sabe, sumir sem deixar pegadas na areia?
Sem saudade, sem dor, sem abismo.
Apenas deixar de existir, como se nunca houvesse pisado aqui.
Eu estou tão cansada. Tão cansada, meu Deus.
Tão cansada.
Choro.
Talvez eu tenha perdido as asas, como a borboleta que vi mais cedo ela se esforçava, mas nunca mais poderia voar. Querida, deu no noticiário que o mundo acaba amanhã! Angelina
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