segunda-feira, 30 de junho de 2025

Trágico

Ou você vive a porra do mundo ou ele vai te devorar inteira, sem ressalvas, sem vírgulas, sem pausas! Não dá pra viver no limbo, eu não consigo mais sobreviver, ficar no meio do caminho. Ou eu vivo de verdade, como eu nunca vivi antes, ou acaba por aqui — e isso não é uma escrita terapêutica, é muito sério, é decidido! Eu permiti que me furtassem de mim mesma por tantos anos. EU PERMITI, EU ACEITEI, fui eu que fiz isso comigo e voltei pro mundo sem saber nem quem eu era mais, eu não sabia mais nem do que eu gostava — e talvez nem saiba. Passarinho morre triste dentro de uma gaiola: não canta, chora. Passarinho precisa ser livre, precisa bater asas e voltar todo dia pro ninho! Desaprendi a conviver com outras pessoas. Fui roubada, com sutileza, do resto do todo, deixando de fazer e de ser o que e como eu gostava, sem perceber que eu estava sendo o que a outra pessoa queria. Eu me olho no espelho e não me reconheço. Passo pelas minhas fotos e não tem um sorriso. Tenho um dos olhares mais tristes que eu já vi. Uma vez, uma pessoa viu uma foto minha e disse que eu estava pedindo socorro pelos olhos — e olhando essa foto de novo, não é diferente do que eu vejo no espelho todos os dias! Sempre tive baixa bateria social, mas eu não era uma pessoa sem bateria nenhuma. Sempre fui entusiasta do silêncio, do aconchego em um sofá embolada ou em uma cama quentinha, mas gostava de sair para dançar, me divertia — até isso também se tornar um problema. Nunca gostei de muito toque físico, mas sempre amei os abraços de quem eu amo, o afeto. Era tímida, mas sempre arrancava gargalhadas aonde eu fosse. Fui desaparecendo como a água que deságua no lugar errado e seca. Perdi o rumo, o prumo, a direção. Saí de casa sem blusa e o mundo estava frio demais. Eu sinto muito frio e não reconhecia mais o mundo, e parece que nenhum lugar mais me cabe! Tudo é barulhento, é agitado, suga minha pouca energia! Eu não sei como voltar a me inserir no mundo — e, sinceramente, eu nem sei se quero, nesse mundo de merda. Nem toda dor que você sente é um castigo, Taynã. Algumas são ritos de passagem, portas que a vida abre para você se encontrar de verdade. Quando o mundo parecer desabar ao seu redor, firme seu corpo, respire fundo, e escute o chamado da sua alma. É aí, no meio do caos, onde tudo parece incerto e pesado, que o seu espírito se fortalece, se refaz, se torna mais inteiro e mais verdadeiro. A dor não te define, mas te revela. Lembre-se: você carrega uma força antiga dentro de si, a sabedoria das que vieram antes, e a coragem das que estão por vir.

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