quarta-feira, 12 de março de 2025

FECHADO

Acendi a vela. A chama alta dançava. Acendi com uma intenção, em meio a uma prece em voz alta—algo que não costumo fazer. Gosto de falar com Deus no meu silêncio, mas senti a necessidade de que cada palavra fosse pronunciada. A chama realmente dançava, mas a fumaça era preta. Veio uma pessoa fortemente à minha mente, alguém que não fazia parte da intenção da prece. Meu coração doeu, quis chorar, quis mandar uma mensagem, mas não mandei. Pedi proteção do fundo do meu coração e espero muito ter alcançado. É preciso ir, mesmo quando não se quer. Deixar ir sempre será difícil. Vi uma entrevista da Fernanda Torres em que lhe perguntaram: "Do que você tem mais medo na vida?" E ela respondeu: "Medo de perder o interesse pela vida, porque pode acontecer em qualquer idade. Você pode ter vivido 30, 70 anos, mas se perder o interesse pela vida, o que vier pela frente será um inferno. Não conseguir se relacionar com o mundo, não ter uma razão para estar vivo, para trabalhar… porque a vida é difícil, então, para suportá-la, é preciso ter interesse por ela." Não sei por que estou escrevendo isso. Não sinto mais vontade de escrever. Isso já aconteceu antes. Minha cabeça rodopia, o corpo dói. As abelhas deixaram suas marcas—fiquei envenenada, inchada, a pele inflamada—mas está passando. Queria que passasse também esse sentir que grita, que não me deixa relaxar, que não me deixa sentir o mundo com calma. Mas as coisas são como são, e chega uma hora em que você cansa e só aceita. Aceita com a cabeça rodopiando, feito um peão na mão de uma criança. Mas aceita. Angelina Dias

Nenhum comentário:

Postar um comentário