terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
Me diz o que você faria?
Me agachei com meu moletom largo, coloquei as mãos nos ouvidos e fiquei parada por um tempo. Fiz isso ao menos três vezes hoje. É um cansaço estranho, como se meu corpo tivesse parado e meu espírito estivesse enjaulado, louco pra sair. Eu estou tão cansada de tudo.
Uma amiga me falou hoje: “Taynã, a gente tem que superar as coisas vivendo, conversar com pessoas, ir a lugares onde você conheça alguém, se divirta, sei lá…”. Eu sempre digo a ela que, se eu estiver melhor, eu vou. Mas não é e nunca foi o que eu gostaria pra minha vida.
Só que hoje me veio: por que você não toca o foda-se e se joga na porra do mundo de forma inconsequente até? O que ser tão certinha te deu até hoje? As pessoas não querem pessoas como eu. Modernidade líquida, meu bem.
Eu tenho feito listas de intenções sempre que portais ou datas importantes acontecem, e eu não vou mentir, eu sempre, sempre, sempre peço por alguém. Sem perfeições, mas que fique. Que me ame de verdade, sem objetificação ou como um prêmio. Eu não quero que diga que eu sou bonita, eu quero que me ame. E que eu possa ser a intenção de alguém. Não é possível que não exista.
Mas eu estou por um triz de não esperar por mais nada. Fazer como todo mundo. O que esperar por alguém que talvez nunca cruze meu caminho tem me dado? Nada. Solidão e etc, etc, etc.
Por mim o mundo acaba hoje, ao menos pra mim. Tem uma música que diz mais ou menos assim: “meu amor, se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria?”. Nada. Eu só iria aceitar e ir.
Eu estou cansada pra um caralho. E talvez me jogar no mundo seja a saída. Que rolem os dados. O que eu tenho a perder? Já me perdi até de mim mesma. Então talvez cair desvairada no mundo supra uma merda qualquer.
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