sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Isso não é uma carta!
Oi, Jesus. Desculpe o jeito tão informal de começar esta carta bonita, mas que talvez não seja tão bonita assim. Ela sai do fundo do meu espírito e te prometi no dia do seu aniversário, mas o Senhor sabe o motivo de eu não ter conseguido antes. Sei que não lhe devo nada, porque o Senhor é o Senhor, e talvez a minha carta seja um pedido de socorro, de abraço, de perdão, de agradecimento ou de todas essas coisas misturadas.
Jesus, eu tenho sido dura demais comigo, desde sempre muito dura, e eu sei que me torturar por uma perfeição que jamais será alcançada, porque o Senhor me deu o livre-arbítrio, é cruel. Sendo assim, eu errei, erro e errarei milhares de vezes, mas que não seja repetidamente o mesmo erro.
Mas o que eu queria dizer, Jesus, ou na verdade pedir perdão desta vez, não é por mim, e sim por talvez, ou com certeza, ser dura demais com as pessoas, querendo que elas também sejam perfeitas, e nunca serão. Afinal de contas, a carne nos faz humanos e, às vezes, o espírito é desobediente demais.
Jesus, eu me recolho hoje à minha insignificância. Que o meu orgulho seja dilacerado ferozmente como por um leão faminto na selva, e que eu saiba que não passo de um gatinho vira-lata. Eu não sou especial, sempre tive convicção disso. Sei ser uma pessoa boa e em busca de algo que às vezes nem eu sei o que é, mas que queima dentro do meu coração. Portanto, além das palavras soltas, eu quero entregar meu corpo, minha alma e meu espírito, mas, sobretudo, o meu coração, para que o Senhor me guie pelos caminhos que tens para mim, não os que eu quero ou desejo, mas os que o Senhor queira para mim, e que eu tenha resiliência e humildade suficientes para aceitar.
Que a cólera não me alcance, ainda que eu esteja certa, mesmo que eu tenha sido acusada injustamente,enganada, humilhada ou o que quer que seja . Afinal de contas, eu não preciso provar nada para ninguém, porque o Senhor tudo vê e tudo sente, e isso é tudo o que eu preciso para ser.
Obrigada por não me abandonar mesmo quando eu mereci. Obrigada por não me abandonar quando eu não fui grata. Obrigada por não me abandonar quando fui injusta. Obrigada por não me abandonar nas tantas vezes em que eu quis acabar com o mais precioso que me deu, que foi a vida, ainda que ela seja difícil e às vezes doa demais. O Senhor deve ter uma razão para me manter aqui, mesmo sendo tudo tão difícil.
Jesus, eu não quero ser juíza de ninguém. Eu não quero apontar o dedo, pois quando aponto tenho todos os outros voltados para mim. Senhor, que a minha intuição nunca me abandone e que eu aprenda a ouvi-la e a segui-la sem contestação, porque, se o Senhor me deu e permitiu que guias me mostrassem com tanta clareza coisas obscuras, não é justo que eu vá contra. Afinal de contas, é uma dádiva, um presente dos céus. Claro que existe um peso também, mas ele fica ínfimo perto do que tem de especial.
Senhor, perdoe-me também se eu fui enganada achando ser intuição e não era, e que eu tenha sabedoria para distinguir. Guie-me pelos caminhos junto à espiritualidade que o Senhor permite me proteger, me guiar, me alertar e me abraçar nos dias mais difíceis que passei, e também nos felizes, que o Senhor deixou marcados nas minhas retinas fatigadas e no meu coração, que dói feito um dedo batido no canto de uma parede e que queima como uma fogueira.
Parece meio desconexo, mas eu nem precisava escrever aqui para que o Senhor recebesse o meu agradecimento, a minha súplica e, principalmente, para que o meu caminho seja completamente guiado pelo Senhor e por todos aqueles que não cochilam ao me proteger e me alertar sobre o que não é visto por todos.
Meu coração está doendo, está queimando, e eu não consigo mais escrever neste momento. Talvez esta nem seja uma carta de aniversário, mas um pedido do seu abraço.
Com amor e humildade,
Angelina
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