segunda-feira, 3 de março de 2025

Vagalume

Vi algo que eu não via há muitos anos (acho que muitos anos, minha memória não anda muito legal), mas a sensação foi como se estivesse vendo algo quase que pela primeira vez. Fiquei estática, olhando e vendo ele piscar na escuridão. Era apenas um, mas parecia algo sobrenatural diante dos meus olhos. Automaticamente, voltei para a rede, balançando, por volta dos meus 12, 13 anos no máximo, na última chácara em que meus avós moraram. Os filhos, netos e muitas outras pessoas mal esperavam a sexta-feira para irmos todos para lá – isso quando não era feriado ou férias (que eu passava quase inteiras lá com eles). Voltei para aquela rede em que me balançava em completa aventura, alto, o mais alto que fosse possível. Depois, me enrolava inteira nela até ficar de barriga para baixo, e alguém me balançava, ou eu mesma me balançava, e achava tão legal! Meu avô sempre teve chácaras, e eu sempre amei a natureza. Me aventurava em tudo que tinha. Desde os meus 5 anos, já passava alguns dias com eles. Mas, voltando para essa última chácara em que moraram, eu já era maior e passava quase o mês inteiro lá nas férias. Às vezes, eles me traziam porque eu chorava de saudade dos meus pais e das minhas irmãs. Tinha um rio, e eu amava pescar e devolver (não usávamos fisgas para não machucar os peixes). Brincava de argila, andava de caiaque na represa e também pescava os peixes maiores. Nadava com os patinhos, ia ver eles tirarem leite das vacas, alimentarem os porcos e as galinhas. Víamos frutas como melancia, morango e tantas outras crescendo. Adorava mexer nas ferramentas do meu avô, andar de carrinho de mão, soltar pipa, ver minha avó fazendo rosquinhas, biscoitos, queijos (e tantas outras receitas) e fritando o melhor ovo do mundo! Mas, ontem, ao ver o vagalume, fiquei meio que em transe. Parada, eu sorri, porque as lembranças foram surgindo(muitas) como se alguém tivesse apertado o avanço rápido de um vídeo em meu cérebro . Lá, eu os via diariamente, muitos deles. Apagávamos todas as luzes para que pudéssemos admirá-los. Parecia uma dança bonita – e era bonita demais! Durava horas e, depois, acendíamos a fogueira e assávamos milho. Eu era tão feliz, e eu sabia! Angelina

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