sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025
Não olhe !
O passado deve ficar no passado! Ele precisa morar lá, ainda que tenha sido lindo, arrepiante, que um dia tenhamos acreditado ser memorável. O passado deve permanecer na casa distante, aquela onde você não chega com facilidade, dentro do casaco que nunca usa e que permanece no fundo do armário, fora do seu alcance. Ainda que doa, que sangre, que te arrebente, dê adeus ao que passou e siga.
Não tente arrombar portas, quebrar muros, invadir silêncios que não querem ser rompidos por você. Se é preciso invadir, isso já significa que você não tem a chave, não conhece o código de acesso. Aceite e vá embora. Aceite o silêncio, que pode ser sua única resposta. Nem sempre as palavras estão onde você gostaria que estivessem. Aceite também a ausência como resposta, porque, às vezes, ela comunica mais do que qualquer discurso. Aceite o afastamento como resposta e como decisão.
Não procure culpados, não mande textões, não insista. Aceite! Quem quer estar com você, simplesmente está. Quem quer você na vida, te tem. E quando é assim, é natural—não há necessidade de derrubar muros ou forçar fechaduras. Algumas pessoas querem ir embora, mas não têm coragem. Vão deixando pistas, criando pequenos distanciamentos, até que você mesmo perceba e vá, ou até que um dia elas simplesmente partam.
Ninguém é obrigado a amar você, a aceitar seus defeitos, suas dificuldades, suas limitações. Deixe ir. Aceite!
O amor, o afeto, o cuidado, a confiança, a amizade—seja de quem for—nunca poderão ser forçados ou arrancados à força. Você não deve precisar pular muros. Você não deve implorar por presença. Quem quiser estar com você, estará. Quem quiser que você permaneça, permitirá que você fique. E ninguém merece menos do que a naturalidade desse ato.
Às vezes, a verdade é simples: o outro simplesmente não faz questão. E quando isso acontece, não há nada, absolutamente nada, que você possa fazer além de aceitar. Pegue suas coisas—seja lá o que restou de você, sua dignidade—e vá embora de uma vez por todas. E não olhe mais para trás. Porque, quando olhamos para trás com amor, corremos o risco de voltar. Então, não olhe. Angelina
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